Artur já conhecia Filipe havia algum tempo. Sabia seu nome, sua idade, suas manias de falar demais quando estava animado e de se calar quando sentia que estava atrapalhando. Já tinham dividido brinquedos, lanches e algumas risadas tímidas. Mas, até então, tudo havia acontecido sob o olhar atento de adultos, como se ambos estivessem sempre em território neutro.
Confiar era outra coisa.
Desde a separação dos pais, Artur aprendera a observar antes de se entregar. Não porque fosse desconfiado por n