O convite chegou numa terça-feira comum demais para carregar tanto peso.
Henrique entrou no setor administrativo com um envelope na mão, expressão neutra, passos firmes. Ágata percebeu antes mesmo que ele falasse. Não pelo gesto em si, mas pela energia diferente que o acompanhava. Havia algo contido ali, como se ele estivesse segurando uma porta que insistia em se abrir.
— Precisamos conversar depois do expediente — disse, baixo, objetivo.
— Nada urgente. Só… importante.
Ela assentiu, profissional como sempre, mas o estômago contraiu. Importante era uma palavra perigosa. Podia significar avanço. Podia significar recuo. Podia significar ruptura.
O resto do dia passou arrastado. Ágata tentou se concentrar, mas o corpo parecia sempre um passo à frente da razão. Cada vez que ouvia os passos de Henrique pelo corredor, sentia uma atenção involuntária se acender. Não desejo explícito. Algo mais sutil. Expectativa.
Às dezoito horas em ponto, ela desligou o computador. Pegou a bolsa. Respirou