Os dias seguintes correram com uma normalidade quase ofensiva.
Ágata percebeu isso logo na primeira manhã depois da conversa. O mundo não havia parado. O despertador tocou, o café ferveu, Filipe reclamou da meia que apertava o pé. A vida seguia, indiferente às revoluções internas. E talvez fosse isso que mais a desconcertava.
No escritório, Henrique manteve a mesma postura firme e correta. Profissional, atento, respeitoso. Não houve mensagens fora de hora. Não houve olhares prolongados. Não houve convites disfarçados. Era como se ambos tivessem feito um acordo silencioso: o que estava sendo construído precisava de espaço para respirar.
Ainda assim, a presença dele era sentida.
Não como antes, não como chama exposta, mas como brasa viva sob a superfície. Um comentário objetivo que vinha carregado de significado. Um silêncio compartilhado em reuniões longas. A confiança explícita nas decisões de Ágata, como se ele dissesse sem palavras: eu vejo você.
E isso mexia com ela mais do que qua