A manhã seguinte nasceu lenta, como se até o sol hesitasse em avançar. Ágata acordou antes do despertador, o corpo ainda pesado do dia anterior, mas a mente estranhamente desperta. Ficou alguns minutos deitada, ouvindo os ruídos abafados do hotel acordando aos poucos: portas se abrindo, passos no corredor, o carrinho de limpeza rangendo distante. Tudo comum. Tudo fora do lugar ao mesmo tempo.
Ela se levantou, abriu a cortina e deixou a luz entrar. A cidade era bonita, mas impessoal. Gostou disso. Lugares neutros davam a sensação de que escolhas também poderiam ser neutras, ainda que soubesse que não eram.
No banheiro, encarou o próprio reflexo. A mulher que a olhava de volta não era mais a mesma de anos atrás. Havia marcas invisíveis, sim, mas também havia firmeza. Autoconhecimento. Uma sensualidade que não pedia permissão. Ágata respirou fundo, como se selasse um acordo silencioso consigo mesma: não se perderia, acontecesse o que acontecesse.
Henrique, no quarto ao lado, acordou com