O telefone caiu da mão de Ágata antes mesmo de ela conseguir desligar. O som seco contra o piso ecoou pela sala, mas dentro dela tudo era mais alto: o sangue pulsando nos ouvidos, o coração tentando escapar pelas costelas, o ar que simplesmente… não entrava.
— Não… não… — a palavra saiu quebrada, como se fosse feita de vidro.
Filipe. O nome martelava. José. A voz dele ainda vibrava na memória, calma demais, calculada demais. Não era um aviso. Era uma sentença.
Ágata perdeu o eixo. O corpo cedeu antes da mente aceitar. Henrique a segurou a tempo de evitar que ela caísse, mas não conseguiu conter o desespero que tomou conta dela como uma maré violenta.
— Ele levou meu filho, Henrique! — ela gritou, agarrando a camisa dele. — Ele levou o meu filho!
Ela tremia inteira, um choro cru, antigo, como se todas as dores que ela havia aprendido a controlar resolvessem sair de uma vez. O autocontrole que sempre foi sua armadura se desfez ali, sem cerimônia.
Henrique sentiu algo mudar dentro dele.