Luz e Sombra
A manhã começou com um céu limpo, mas uma brisa fria lembrava que o inverno ainda rondava o sítio.
Miguel acordou antes de Clara, sentindo o cheiro do café fresco que ela já preparava na cozinha.
A rotina matinal, antes pesada, agora era leve e acolhedora, pontuada pelo riso distante de Brenda que corria pelo quintal, explorando cada flor e cada canto do jardim.
Miguel se levantou devagar, sentindo cada músculo responder ao movimento, lembrando-se de que seu corpo ainda carregava a memória do coma, da recuperação lenta e dolorosa.
Mas agora, ao sentir a brisa no rosto e ouvir o riso de Brenda, havia uma sensação de plenitude que não sentia há anos.
Ele respirou fundo, absorvendo a vida que pulsava ao seu redor.
Clara apareceu na varanda com uma bandeja de café da manhã. Seus olhos se encontraram, e por um momento, nada mais importava: o passado, as dores, os parentes gananciosos. Apenas eles e a família que construíam, passo a passo.
— Bom dia. Disse Miguel, sorrindo