O Peso Leve do Reconhecimento
Um ano depois….
Às vezes, penso que um ano é pouco tempo para quem perdeu tudo.
Outras vezes, parece uma eternidade para quem aprendeu a sobreviver um dia de cada vez.
A livraria está cheia. Não cheia de ruído, cheia de presença.
Gente que espera, que segura livros contra o peito como se fossem cartas pessoais.
Gente que sorri para mim com um tipo de gratidão que ainda me desconcerta.
O cartaz atrás da mesa traz meu nome em letras grandes demais para quem, por muito tempo, não conseguiu sequer assinar o próprio nome sem sentir culpa.
Miguel Brandão – Sessão de Autógrafos.
O título do livro, impresso logo abaixo, brilha sob a luz quente dos refletores:
Depois do Fim Você.
Respiro fundo antes de abrir a primeira página.
Minhas mãos não tremem mais como antes.
Mas também não são as mãos confiantes de quem nunca caiu.
São mãos que sabem o peso exato da queda e da permanência.
Clara está sentada a alguns metros de mim, perto da estante de lançamentos.
Us