EPÍLOGO
Onde o Amor Escolhe Ficar.
O dia amanhece claro, como se o céu tivesse sido avisado.
Não há pressa.
Não há nervosismo do tipo que paralisa.
Há apenas uma emoção funda, serena, que ocupa o peito inteiro sem pedir licença.
A casa está cheia desde cedo.
Vozes baixas, passos leves, o cheiro de café fresco misturado ao de flores recém-colhidas do jardim.
Clara está no quarto, sentada diante do espelho antigo que trouxemos do sítio, enquanto uma amiga ajeita os últimos detalhes do vestido.
O vestido não é grandioso. Nunca foi a ideia.
É simples, de tecido fluido, caindo com delicadeza sobre o corpo que agora carrega outra vida.
A barriga ainda é discreta, mas presente um segredo compartilhado apenas com quem olha com atenção.
Clara passa a mão pelo ventre num gesto quase inconsciente.
Um carinho breve, protetor. Depois respira fundo.
— Estou pronta. Ela diz.
Mas sei que não fala do vestido.
No quarto ao lado, Brenda gira em frente ao espelho pela quinta vez.
O vestido dela é c