Ventos de Conflito
O dia amanheceu claro, mas a paz que reinava no sítio parecia prestes a ser testada.
Miguel tomava café na varanda, observando Brenda correr entre os girassóis, quando o som de motores e passos apressados anunciou a chegada inesperada de familiares que não viam há anos.
A princípio, eram visitas comuns, mas Miguel sentiu, antes mesmo de encará-los, o peso de intenções veladas.
Clara, que preparava sanduíches na cozinha, franziu a testa ao ouvir a campainha.
Havia algo no tom apressado e formal que despertava a memória de anos de interesse e ambição familiar, momentos em que Miguel sempre sentiu que a afeição deles estava condicionada à fama e ao sucesso.
— Amor, eles estão aqui. Disse Clara, sua voz baixa, mas firme.
— Vai ser melhor você recebê-los.
Miguel respirou fundo, sentindo o peso da responsabilidade.
Cada músculo do corpo lembrava-se da tensão acumulada, da ansiedade que surgia quando pessoas do passado traziam consigo expectativas e julgamentos.
Ele