Capítulo 23 — O Porto das Sombras
O porto nunca dorme. Guindastes rangem como esqueletos de ferro; refletores recortam contêineres em muralhas; o cheiro de sal mistura diesel e pressa. Ali se decidem fortunas — e quedas.
Chegamos cedo demais — método de Helena. Ela caminhava como quem cruza um salão de gala sobre concreto irregular. A cada passo, operários suspendiam o movimento por um segundo; executivos fingiam não olhar. A noite, prestes a virar manhã, abriu passagem.
— Aqui é onde os s