Capítulo 36 — O Legado da Chave
O porto amanhecia devagar, coberto por uma neblina que parecia feita de lembranças.
Os navios dormiam ancorados, e o vento vinha do leste, leve, úmido, carregando o mesmo perfume de jasmim que sempre precedia a presença dela.
Rafael ficou muito tempo parado, sem saber se olhava o mar ou o próprio passado.
Aquela era a primeira manhã em que ele aceitava, de verdade, que ela não voltaria.
O cais ainda guardava marcas dos passos dela — pelo menos era o que ele gosta