Capítulo 43 — A Casa Silenciosa
O vento amanhecia leve naquele dia — leve demais, como se o tempo tivesse esquecido o peso das horas.
O sol se filtrava pelas janelas e fazia as cortinas dançarem, como se alguém invisível passasse os dedos por elas.
Rafael já se acostumara a esse tipo de silêncio: o silêncio que não é vazio, mas presença disfarçada.
Os anos haviam se acumulado, mas não em ruínas — em memórias.
O cabelo branco o tornara mais sereno, e as rugas no rosto eram mais mapas qu