Lorena
Eu nunca pensei que amar alguém poderia me obrigar a fugir. Não fugir por covardia. Nem por culpa. Mas fugir porque na favela, amar é perigoso. Amar é expor o peito no meio do tiroteio. Amar, aqui, é desafiar morte, facção, sangue e destino. É pedir pra viver — e isso, às vezes, é mais ousado do que matar.
Acordei com o peito estourando. Não era um pesadelo. Era realidade me puxando pelos cabelos. O dia da fuga tinha chegado.
Kaíque já tava de pé, no canto do quarto, encostado na parede