Capítulo 6: O Presente do Predador

​O sol se punha em tons de violeta e sangue sobre o horizonte de concreto, mas Mariane não conseguia apreciar a vista. Ela estava trancada em seu quarto, o corpo ainda sentindo o formigamento da água da piscina e o calor fantasma das mãos de Killian em sua cintura. A derrota na competição de natação pesava sobre seus ombros, não apenas pelo orgulho ferido, mas pelo preço que ela sabia que teria de pagar.

​Ela havia perdido. E no mundo dos Alfas, dívidas de honra não eram perdoadas; eram cobradas com juros.

​Um som metálico e seco ecoou na porta de vidro fosco. Mariane girou, o coração disparado. Ela esperava ver a silhueta de Killian, mas a porta não se abriu. Em vez disso, ela notou uma caixa de veludo negro, grande e retangular, depositada sobre o aparador de mármore que ficava exatamente na linha divisória entre os dois quartos.

​Ao lado da caixa, um envelope de papel texturizado com o brasão da família Blackwood em cera vermelha.

​Mariane aproximou-se com passos cautelosos, como se o objeto pudesse mordê-la. Suas mãos tremiam levemente ao abrir o envelope. A caligrafia de Killian era impecável, porém agressiva, as letras inclinadas como se tivessem sido gravadas com força.

​"O contrato exige sua presença. A aposta exige sua rendição. Vista o que está na caixa e venha ao meu quarto às vinte e duas horas. Não se atrase. Eu não aceito desculpas de quem perdeu em campo aberto."

​Mariane sentiu uma onda de fúria misturada a uma antecipação elétrica que a deixou sem fôlego. "Arrogante. Desgraçado", ela murmurou, mas seus dedos já estavam desfazendo o laço de seda da caixa.

​Ao abrir a tampa, ela soltou um suspiro audível. Ela esperava um vestido de gala ou uma lingerie vulgar, mas Killian conhecia o poder do luxo silencioso. Dentro da caixa, repousava uma única peça: uma camisola de seda líquida, em um tom de azul tão profundo que beirava o negro, exatamente da cor dos olhos de Killian quando ele estava perdendo o controle.

​O tecido era quase imaterial. Não havia rendas, não havia bordados. Era apenas a seda mais pura, desenhada para cair sobre o corpo como uma segunda pele. Junto com ela, havia um par de sandálias de tiras finas e um frasco de perfume de essência de sândalo e âmbar — o cheiro dele.

​Ele não queria apenas que ela se vestisse para ele. Ele queria marcá-la com o seu aroma. Queria que ela entrasse em seu território parecendo uma extensão de sua própria vontade.

​Mariane passou as próximas duas horas em um ritual que era metade preparação para a guerra, metade entrega. Ela tomou um banho longo, esfolando a pele até que ficasse rosada e sensível. Ao vestir a seda azul, percebeu a genialidade perversa de Killian: a camisola não tinha suporte algum. O decote era profundo na frente e totalmente aberto atrás, terminando apenas na curva perigosa de suas nádegas. Cada movimento que ela fazia fazia o tecido roçar em seus mamilos, que endureceram instantaneamente, reagindo à textura e à ideia de quem a estaria observando.

​Ela aplicou a essência de sândalo nos pontos de pulsação: pulsos, atrás das orelhas e no vale entre os seios. O cheiro de Killian agora fazia parte dela. Ela se olhou no espelho e viu uma mulher que não reconhecia. O azul-céu de seus olhos estava escurecido, as pupilas dilatadas. Ela parecia uma oferenda, mas seu queixo continuava erguido.

​Às dez horas em ponto, ela caminhou até a porta de vidro fosco. Pela primeira vez, ela não hesitou. Ela deslizou a divisória.

​O quarto de Killian estava mergulhado em sombras, iluminado apenas por algumas velas de pavio de madeira que estalavam suavemente, e pelo brilho frio da lua que entrava pela janela panorâmica. O cheiro de uísque caro e testosterona era esmagador.

​Killian estava sentado em uma poltrona de couro, ainda vestindo a calça do terno preto, mas sem camisa e descalço. Ele tinha um copo de cristal na mão, e seus olhos estavam fixos na porta por onde ela entrou. No momento em que Mariane pisou em seu território, ele parou de respirar por um segundo inteiro.

​O azul da seda contra a pele dela era uma visão que superava qualquer fantasia que ele tivesse alimentado através do vidro fosco.

​— Você veio — ele disse, a voz sendo pouco mais que um rosnado vibrante.

​— Eu pago minhas dívidas, Killian — ela respondeu, a voz firme, apesar do tremor interno. — Mas não pense que isso significa que você me quebrou.

​Killian levantou-se lentamente, a musculatura do peito e do abdômen brilhando sob a luz das velas. Ele caminhou em direção a ela com a calma de um predador que já cercou sua presa e agora vai saborear o momento do abate. Ele parou diante dela, tão perto que Mariane podia sentir o calor emanando de seu corpo.

​Ele estendeu a mão e, com as pontas dos dedos, tocou a alça fina da camisola em seu ombro.

— O azul ficou melhor em você do que eu imaginei — ele sussurrou, descendo o toque pela linha do seu pescoço. — E o cheiro... você cheira como se finalmente tivesse aceitado a quem pertence.

​— Eu não pertenço a ninguém — ela desafiou, embora seu corpo estivesse se inclinando em direção ao dele involuntariamente.

​Killian sorriu, um sorriso sombrio e carregado de promessas. Ele segurou o queixo dela, forçando-a a olhar diretamente em seus olhos oceânicos.

— Esta noite, Mariane, o contrato não importa. A aposta não importa. Só importa o fato de que eu vou tirar cada centímetro dessa seda de você, e vou provar que, mesmo que sua mente diga não, seu sangue uiva pelo meu nome.

​Ele inclinou a cabeça e, antes de beijá-la, sussurrou contra seus lábios:

— Bem-vinda ao meu mundo. Agora, a brincadeira acaba.

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