Capítulo 3: A Punição sob a Mesa

​O jantar estava sendo servido na imensa mesa de ébano da sala de jantar formal. O lustre de cristal acima deles lançava luzes fractais sobre as taças de vinho tinto, tão escuro quanto o sangue que pulsava nas têmporas de Mariane. Sentados à mesa estavam dois dos sócios mais antigos da Blackwood Global, lobos anciãos de olhares astutos que cheiravam a tabaco e tradição. Eles estavam ali para avaliar se a "aquisição" de Killian era digna de sua linhagem.

​Mariane sentia o peso do vestido de seda preta contra sua pele. Ela sabia que estava deslumbrante, mas a confiança que sentira no quarto estava se esvaindo sob o escrutínio silencioso de Killian. Ele presidia a mesa como um monarca absoluto, a postura impecável no terno sob medida, mas seus olhos azul-oceano nunca abandonavam o rosto de Mariane por muito tempo.

​— Então, Srta. Valerius — começou o Sr. Sterling, o sócio mais velho, sua voz raspando como lixa. — Soubemos que sua alcateia tem enfrentado... dificuldades. Esperamos que sua união com o herdeiro Blackwood traga a estabilidade que seu povo tanto clama. Ou você é apenas um rosto bonito para decorar os eventos do Conselho?

​O insulto velado fez o sangue de Mariane ferver. Ela abriu a boca para dar uma resposta afiada, uma que lembraria a Sterling que a linhagem Valerius era mais antiga que o banco de sua família, mas antes que a primeira palavra saísse, ela sentiu um calor súbito.

​Sob a mesa, a mão de Killian pousou em sua coxa.

​Não foi um toque suave. Foi uma reivindicação. Seus dedos longos e fortes apertaram a pele sensível através da seda fina do vestido, uma pressão firme que a fez travar instantaneamente. O toque dele era um comando silencioso: Cale-se e comporte-se.

​— Mariane entende perfeitamente seu papel, Sterling — Killian respondeu calmamente, levando o vinho aos lábios. Sua voz estava perfeitamente controlada, mas a mão em sua coxa começou a subir lentamente, os dedos roçando a borda da fenda do vestido. — Ela é tão inteligente quanto é bela. Por isso a escolhi.

​Mariane sentiu um arrepio percorrer sua espinha, o choque da audácia dele misturado a uma descarga de adrenalina. Ela tentou se mover, tentando afastar a perna discretamente, mas o aperto de Killian aumentou, seus dedos cravando-se levemente no músculo da coxa dela, um aviso dolorosamente prazeroso de que ele não toleraria resistência.

​— Tenho certeza de que sim — continuou Sterling, observando Mariane com desconfiança. — Mas uma loba do Norte costuma ter... garras. Killian, você tem certeza de que ela sabe quem comanda nesta casa?

​Killian soltou um riso sombrio que não chegou aos olhos. Enquanto falava sobre projeções financeiras e logística de território, sua mão continuou sua jornada exploratória. Ele subiu os dedos pela parte interna da coxa de Mariane, centimetro por centímetro, perigosamente perto da renda de sua lingerie.

​Mariane sentiu sua respiração ficar curta. O calor entre suas pernas começou a pulsar em sintonia com a pressão dos dedos de Killian. Era uma tortura psicológica e física. Ela tinha que sorrir, concordar com a cabeça e parecer a companheira submissa ideal, enquanto o homem ao seu lado a dominava de forma invisível para todos os outros.

​— Mariane? — a voz de Killian a trouxe de volta. Ele estava olhando para ela, um brilho de divertimento cruel nos olhos. — O Sr. Sterling perguntou se você concorda com a fusão das terras do setor Leste.

​Mariane olhou para Killian. Ela podia ver o desafio em seu olhar. Se ela respondesse com a insolência que desejava, ele iria mais longe. Se ela se submetesse, ele venceria essa rodada. Mas o toque dele... o polegar de Killian começou a descrever círculos lentos e rítmicos em sua pele, exatamente onde o calor era mais intenso. Ela sentiu a umidade começar a traí-la.

​— Eu... eu concordo plenamente com as decisões de Killian — ela disse, a voz saindo um pouco mais rouca do que pretendia. — Ele sabe exatamente como extrair o melhor de cada situação.

​Killian sorriu, um sorriso predatório que dizia que ele sabia exatamente o efeito que estava causando.

— Viu, Sterling? Ela é perfeitamente dócil quando bem manejada.

​Durante o restante do jantar, a mão de Killian nunca abandonou o seu posto. Ele a usava como um instrumento de controle; se ela hesitava em uma resposta, ele apertava. Se ela sorria para Sterling de forma muito encantadora, ele subia os dedos até o limite do proibido. Mariane estava em transe, o corpo tremendo sob a mesa, a mente nublada pelo desejo reprimido e pela fúria de ser tratada como um animal treinado.

​Quando os sócios finalmente se retiraram, o silêncio que caiu sobre a sala de jantar era elétrico. Killian não retirou a mão imediatamente. Ele se inclinou para perto dela, o cheiro de uísque e poder inundando os sentidos de Mariane.

​— Você foi muito bem, pequena loba — ele sussurrou, a voz carregada de uma promessa perigosa. — Suas respostas foram perfeitas, embora o seu cheiro diga que você estava... distraída.

​Ele finalmente retirou a mão, mas o calor do toque permaneceu queimando na pele dela como uma marca. Mariane levantou-se bruscamente, a cadeira arrastando com força no chão.

​— Você é um covarde, Killian — ela cuspiu, o peito subindo e descendo com força. — Usar sua força sob a mesa porque sabe que eu não posso gritar na frente dos seus sócios?

​Killian levantou-se lentamente, ajustando o paletó. Ele caminhou até ela, cercando-a contra a mesa.

— Eu não usei força, Mariane. Eu usei autoridade. E pelo estado da sua respiração, eu diria que você gostou de cada segundo da sua punição.

​Ele estendeu a mão e tocou uma mecha do cabelo dela, os olhos fixos nos dela.

— Agora, vá para o seu quarto. O vidro fosco nos espera. E não se esqueça: eu ainda sinto o cheiro da sua reação. Você pode mentir com as palavras, mas o seu corpo... o seu corpo já assinou o contrato comigo há muito tempo.

​Mariane saiu da sala sem olhar para trás, a mente em caos. Ela precisava de um banho gelado, mas sabia que, no momento em que entrasse no quarto, a silhueta dele estaria lá, através do vidro, lembrando-a de que a noite estava longe de acabar.

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