Capítulo 7: O Jogo das Sombras

​O quarto de Killian era um abismo de elegância e sombras. O cheiro de sândalo e âmbar que Mariane passara em sua pele parecia ter criado uma ponte química entre eles, tornando o ar espesso, quase sólido. Killian não a beijou de imediato. Ele a estudou, deixando que o silêncio e o estalar das velas de madeira fizessem o trabalho de desarmar as defesas dela. Ele era o Alfa, e sabia que a antecipação era uma arma mais poderosa do que a força bruta.

​— Aproxime-se da janela, Mariane — ele ordenou. A voz não era um grito, mas tinha o peso de uma montanha.

​Ela hesitou, sentindo a seda azul roçar perigosamente em seus seios, mas seus pés obedeceram. Ela caminhou até a imensa parede de vidro que dava para a metrópole. Lá embaixo, as luzes da cidade brilhavam como diamantes espalhados sobre veludo negro, um mundo frenético que parecia insignificante diante da tensão que preenchia aquela suíte.

​Killian moveu-se atrás dela. Ele não a tocou de imediato, mas Mariane sentiu o calor emanando do peito nu dele contra suas costas. Ela viu o reflexo dele no vidro: um gigante sombrio, os olhos brilhando com uma fome predatória que a fazia tremer.

​— Olhe para eles — Killian sussurrou, sua respiração quente agitando os fios de cabelo dourado na nuca dela. — Milhões de pessoas vivendo vidas pequenas, seguindo regras que não entendem. Eles acham que são livres, mas são escravos da rotina.

​Ele finalmente colocou as mãos na cintura dela. Os dedos longos de Killian envolveram a seda azul, puxando o tecido com firmeza para trás, o que fez a frente da camisola se colar às curvas de Mariane, delineando cada detalhe de seu corpo para a cidade ver — e para ele possuir.

​— Aqui em cima — ele continuou, a voz descendo para um tom gutural —, não existem regras, exceto a minha. E a minha vontade agora é que você sinta exatamente o que acontece quando uma loba decide desafiar o seu Alfa.

​Ele inclinou a cabeça e começou a trilhar um caminho de beijos lentos e úmidos pelo ombro dela, descendo pela linha do trapézio até encontrar o ponto onde o pescoço se unia ao ombro. Mariane soltou um suspiro ofegante, as mãos espalmadas contra o vidro frio. O contraste entre o gelo do vidro em suas palmas e o fogo da boca dele em sua pele era quase insuportável.

​— Killian... — o nome dele saiu como um gemido suplicante.

​— Diga o meu nome de novo — ele exigiu, uma das mãos subindo pela frente do corpo dela, espalmando-se sobre seu abdômen e subindo lentamente, centimetro por centimetro, até que a base de sua palma pressionasse o volume de seus seios através da seda. — Diga para que a cidade inteira saiba quem está cuidando de você esta noite.

​Mariane fechou os olhos, a cabeça pendendo para trás, encontrando o ombro sólido de Killian. Ela se sentia exposta, vulnerável diante da imensidão lá fora, mas havia uma segurança perversa em ser mantida por ele. A mão dele era grande, quente e possessiva. Ele começou a massagear um de seus seios com uma pressão rítmica, o polegar traçando o contorno do mamilo que já estava rígido e dolorido de desejo.

​O prazer subiu pelas pernas de Mariane como uma maré. Ela sentiu Killian se pressionar mais contra ela. A rigidez dele contra suas nádegas era um lembrete constante da aposta perdida e da masculinidade indomada que ele estava tentando conter por puro sadismo de vê-la implorar.

​— Você queria transparência, não queria? — Ele mordiscou o lóbulo da orelha dela, as mãos agora descendo para os quadris e puxando-a para trás, encaixando-a perfeitamente em sua anatomia. — Olhe para o seu reflexo. Veja como você está reagindo ao meu toque. Veja como essa seda é inútil para esconder o quanto você me quer.

​Mariane abriu os olhos e foi forçada a encarar a própria imagem. Suas faces estavam coradas, os lábios entreabertos, e seus olhos azul-céu estavam escurecidos pela luxúria. Ela viu as mãos de Killian — mãos que podiam esmagar aço — tratando-a com uma mistura de brutalidade e adoração.

​Ele deslizou as mãos para baixo, por baixo da bainha da camisola azul, encontrando a pele nua de suas coxas. Mariane estremeceu quando os dedos dele, levemente calejados, subiram pela parte interna, buscando a umidade que ela não podia mais esconder.

​— Você está tremendo, pequena loba — ele constatou, um sorriso triunfante na voz. — É medo ou é a percepção de que você nasceu para ser minha?

​— Eu... eu odeio o quanto você se sente dono de tudo — ela conseguiu dizer, embora o corpo estivesse traindo cada palavra.

​— Ódio e desejo são as duas faces da mesma moeda — ele rebateu. Ele a virou bruscamente, forçando-a a encostar as costas no vidro agora embaçado pelo calor de seus corpos.

​Killian a segurou pela nuca, os dedos enterrados em seu cabelo, e finalmente tomou os lábios dela. O beijo não teve nada de civilizado. Foi uma colisão de dentes e línguas, um gosto de uísque e urgência. Ele a beijava como se estivesse tentando extrair a alma dela, e Mariane respondeu com a mesma fúria, as unhas cravando-se nos ombros musculosos dele, arrancando um rosnado satisfeito do fundo do peito do Alfa.

​Ele a suspendeu pelos quadris, e Mariane envolveu a cintura dele com as pernas, a seda azul subindo até a cintura. O contato direto da pele de sua intimidade contra a calça de Killian foi o estopim. Ela sentia o pulsar dele, a promessa de uma entrega que mudaria tudo.

​— Esta noite — Killian murmurou contra os lábios dela, os olhos brilhando com uma luz sobrenatural —, eu vou te mostrar que nenhum contrato de luxo pode descrever o que eu vou fazer com você.

​Ele a carregou em direção à cama, mas o jogo das sombras estava longe de acabar. Na mente de Mariane, a cidade lá fora havia desaparecido. Só existia o calor de Killian, o cheiro de sândalo e a percepção de que ela estava prestes a entregar muito mais do que apenas sua virgindade; ela estava entregando o controle de seu destino.

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