Mundo ficciónIniciar sesiónO quarto de Killian era um abismo de elegância e sombras. O cheiro de sândalo e âmbar que Mariane passara em sua pele parecia ter criado uma ponte química entre eles, tornando o ar espesso, quase sólido. Killian não a beijou de imediato. Ele a estudou, deixando que o silêncio e o estalar das velas de madeira fizessem o trabalho de desarmar as defesas dela. Ele era o Alfa, e sabia que a antecipação era uma arma mais poderosa do que a força bruta.
— Aproxime-se da janela, Mariane — ele ordenou. A voz não era um grito, mas tinha o peso de uma montanha. Ela hesitou, sentindo a seda azul roçar perigosamente em seus seios, mas seus pés obedeceram. Ela caminhou até a imensa parede de vidro que dava para a metrópole. Lá embaixo, as luzes da cidade brilhavam como diamantes espalhados sobre veludo negro, um mundo frenético que parecia insignificante diante da tensão que preenchia aquela suíte. Killian moveu-se atrás dela. Ele não a tocou de imediato, mas Mariane sentiu o calor emanando do peito nu dele contra suas costas. Ela viu o reflexo dele no vidro: um gigante sombrio, os olhos brilhando com uma fome predatória que a fazia tremer. — Olhe para eles — Killian sussurrou, sua respiração quente agitando os fios de cabelo dourado na nuca dela. — Milhões de pessoas vivendo vidas pequenas, seguindo regras que não entendem. Eles acham que são livres, mas são escravos da rotina. Ele finalmente colocou as mãos na cintura dela. Os dedos longos de Killian envolveram a seda azul, puxando o tecido com firmeza para trás, o que fez a frente da camisola se colar às curvas de Mariane, delineando cada detalhe de seu corpo para a cidade ver — e para ele possuir. — Aqui em cima — ele continuou, a voz descendo para um tom gutural —, não existem regras, exceto a minha. E a minha vontade agora é que você sinta exatamente o que acontece quando uma loba decide desafiar o seu Alfa. Ele inclinou a cabeça e começou a trilhar um caminho de beijos lentos e úmidos pelo ombro dela, descendo pela linha do trapézio até encontrar o ponto onde o pescoço se unia ao ombro. Mariane soltou um suspiro ofegante, as mãos espalmadas contra o vidro frio. O contraste entre o gelo do vidro em suas palmas e o fogo da boca dele em sua pele era quase insuportável. — Killian... — o nome dele saiu como um gemido suplicante. — Diga o meu nome de novo — ele exigiu, uma das mãos subindo pela frente do corpo dela, espalmando-se sobre seu abdômen e subindo lentamente, centimetro por centimetro, até que a base de sua palma pressionasse o volume de seus seios através da seda. — Diga para que a cidade inteira saiba quem está cuidando de você esta noite. Mariane fechou os olhos, a cabeça pendendo para trás, encontrando o ombro sólido de Killian. Ela se sentia exposta, vulnerável diante da imensidão lá fora, mas havia uma segurança perversa em ser mantida por ele. A mão dele era grande, quente e possessiva. Ele começou a massagear um de seus seios com uma pressão rítmica, o polegar traçando o contorno do mamilo que já estava rígido e dolorido de desejo. O prazer subiu pelas pernas de Mariane como uma maré. Ela sentiu Killian se pressionar mais contra ela. A rigidez dele contra suas nádegas era um lembrete constante da aposta perdida e da masculinidade indomada que ele estava tentando conter por puro sadismo de vê-la implorar. — Você queria transparência, não queria? — Ele mordiscou o lóbulo da orelha dela, as mãos agora descendo para os quadris e puxando-a para trás, encaixando-a perfeitamente em sua anatomia. — Olhe para o seu reflexo. Veja como você está reagindo ao meu toque. Veja como essa seda é inútil para esconder o quanto você me quer. Mariane abriu os olhos e foi forçada a encarar a própria imagem. Suas faces estavam coradas, os lábios entreabertos, e seus olhos azul-céu estavam escurecidos pela luxúria. Ela viu as mãos de Killian — mãos que podiam esmagar aço — tratando-a com uma mistura de brutalidade e adoração. Ele deslizou as mãos para baixo, por baixo da bainha da camisola azul, encontrando a pele nua de suas coxas. Mariane estremeceu quando os dedos dele, levemente calejados, subiram pela parte interna, buscando a umidade que ela não podia mais esconder. — Você está tremendo, pequena loba — ele constatou, um sorriso triunfante na voz. — É medo ou é a percepção de que você nasceu para ser minha? — Eu... eu odeio o quanto você se sente dono de tudo — ela conseguiu dizer, embora o corpo estivesse traindo cada palavra. — Ódio e desejo são as duas faces da mesma moeda — ele rebateu. Ele a virou bruscamente, forçando-a a encostar as costas no vidro agora embaçado pelo calor de seus corpos. Killian a segurou pela nuca, os dedos enterrados em seu cabelo, e finalmente tomou os lábios dela. O beijo não teve nada de civilizado. Foi uma colisão de dentes e línguas, um gosto de uísque e urgência. Ele a beijava como se estivesse tentando extrair a alma dela, e Mariane respondeu com a mesma fúria, as unhas cravando-se nos ombros musculosos dele, arrancando um rosnado satisfeito do fundo do peito do Alfa. Ele a suspendeu pelos quadris, e Mariane envolveu a cintura dele com as pernas, a seda azul subindo até a cintura. O contato direto da pele de sua intimidade contra a calça de Killian foi o estopim. Ela sentia o pulsar dele, a promessa de uma entrega que mudaria tudo. — Esta noite — Killian murmurou contra os lábios dela, os olhos brilhando com uma luz sobrenatural —, eu vou te mostrar que nenhum contrato de luxo pode descrever o que eu vou fazer com você. Ele a carregou em direção à cama, mas o jogo das sombras estava longe de acabar. Na mente de Mariane, a cidade lá fora havia desaparecido. Só existia o calor de Killian, o cheiro de sândalo e a percepção de que ela estava prestes a entregar muito mais do que apenas sua virgindade; ela estava entregando o controle de seu destino.






