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Capítulo 9: O Café da Manhã do Alfa

​A luz da manhã infiltrava-se pelas frestas das cortinas de veludo, cortando a penumbra da suíte de Killian como lâminas douradas. Mariane despertou lentamente, a mente ainda envolva na névoa dos eventos da noite anterior. Seu corpo sentia um peso novo, uma languidez que vinha não apenas do cansaço físico, mas da sensação de ter sido, pela primeira vez, completamente desvendada. A pele de suas coxas ainda guardava o calor de Killian, e o aroma de sândalo parecia ter se tornado parte de seu próprio DNA.

​Ela se moveu entre os lençóis de seda negra, esperando encontrar o calor sólido de Killian ao seu lado. Em vez disso, encontrou o lado da cama vazio, embora ainda amassado e quente.

​Mariane sentou-se, puxando o lençol para cobrir os seios nus. No momento em que se levantou, uma pontada aguda de sensibilidade entre as pernas lembrou-a da intensidade da entrega. Ela caminhou até o banheiro, lavou o rosto e vestiu um roupão de cetim preto que pertencia a Killian — que ficava imenso nela, a barra arrastando no chão e as mangas dobradas várias vezes. O cheiro dele a envolveu como um abraço possessivo.

​Ao sair para a sala de jantar da cobertura, ela parou bruscamente.

​Killian estava sentado à cabeceira da mesa de mármore. Ele já estava vestido com uma calça de alfaiataria cinza e uma camisa branca, mas a camisa estava aberta até o meio do peito, revelando a pele onde, na noite anterior, Mariane havia deixado marcas de unhas. Ele não estava lendo o jornal ou olhando o tablet. Ele estava apenas ali, imóvel, observando a porta do corredor por onde ela sairia.

​A aura dele havia mudado. Se antes ele exalava uma frieza corporativa, agora ele emanava um poder Alfa bruto e inquietante. Seus olhos azul-oceano pareceram escurecer quando pousaram em Mariane vestida com suas roupas.

​— Bom dia — ela disse, a voz ainda rouca de sono, tentando manter uma normalidade que claramente não existia mais.

​Killian não respondeu de imediato. Ele levantou-se, o movimento lento e carregado de uma tensão que fez os pelos da nuca de Mariane se arrepiarem. Ele caminhou até ela, parando tão perto que ela podia sentir a vibração de seu poder.

​— Você demorou a acordar — ele disse. Sua voz não era apenas rouca; era um rosnado baixo, vibrante. Ele estendeu a mão e puxou Mariane pela cintura, colando o corpo dela ao seu com uma força que não aceitava protestos. — Eu quase fui até o quarto para te buscar nos meus braços.

​Mariane riu nervosamente, tentando aliviar o clima. — Eu estava cansada, Killian. Você não foi exatamente... gentil ontem à noite.

​— Eu fui o que você precisava — ele corrigiu, o olhar fixo nos lábios dela. Ele inclinou a cabeça, inalando o cheiro dela na junção do pescoço. — Você cheira a mim. Totalmente a mim. E eu pretendo garantir que continue assim.

​Ele a conduziu para a mesa, onde um café da manhã luxuoso estava servido: frutas silvestres, queijos finos, pães artesanais e café forte. No entanto, o clima não era de romance. Era de contenção.

​— O motorista está esperando? — Mariane perguntou, servindo-se de um pouco de café. — Tenho aquela reunião na galeria para o evento beneficente da alcateia e...

​— Você não vai — Killian interrompeu. A frase foi dita com uma calma absoluta que a gelou mais do que um grito.

​Mariane parou com a xícara a meio caminho da boca. Ela olhou para ele, franzindo o cenho. — Perdão?

​— Você não vai sair da cobertura hoje, Mariane. Nem hoje, nem nos próximos dias, até que eu decida que é seguro — ele disse, voltando a sentar-se, agindo como se estivesse apenas comentando sobre a previsão do tempo.

​— Como é? — Mariane sentiu a primeira faísca de fúria acender em seu peito. Ela colocou a xícara na mesa com um estalo metálico. — Killian, nós tivemos uma noite incrível, e eu entendo que os seus instintos de lobo estejam... aflorados. Mas eu tenho compromissos. Eu não sou sua prisioneira.

​— Você é minha companheira de contrato — ele rebateu, os olhos brilhando com uma luz possessiva. — E agora, você é minha em todos os sentidos que importam. Meu pai está movendo peças no tabuleiro, Mariane. O cheiro da nossa união vai se espalhar. Outros Alfas vão sentir que você foi reclamada, e isso os torna imprevisíveis. Eu não vou permitir que você ande por aí como um alvo.

​— Eu sou uma loba da linhagem Valerius! — ela exclamou, levantando-se da mesa. — Eu sei me cuidar. Você está usando a segurança como desculpa para exercer esse seu controle doentio. Você quer me trancar aqui porque não suporta a ideia de eu ter uma vida que você não governe.

​Killian levantou-se também, a mesa entre eles parecendo pequena demais para o conflito. Sua presença Alfa expandiu-se, tornando o ar pesado, difícil de respirar.

​— Não teste a minha paciência hoje, Mariane — ele alertou, a voz descendo para um tom perigosamente baixo. — Ontem à noite eu te mostrei o meu lado homem. Não me force a te mostrar o lado que não aceita "não" como resposta. Você fica. A segurança foi reforçada. As portas estão bloqueadas para a sua digital.

​— Você... você me bloqueou? — Mariane deu um passo atrás, o choque estampado no rosto. — Killian, isso é sequestro!

​— Isso é proteção — ele rosnou, contornando a mesa com passos predatórios. Ele a cercou contra o aparador, as mãos apoiadas no mármore de cada lado do corpo dela, prendendo-a. — Você não entende o que você é para mim agora. Eu sinto você sob a minha pele. Eu sinto cada batida do seu coração. A ideia de você estar na rua, onde eu não posso te ver, onde outros machos podem olhar para você e sentir o que eu fiz com você... isso me deixa louco.

​Mariane olhou nos olhos dele e viu uma possessividade que beirava a obsessão. A ternura da noite anterior havia sido soterrada por um instinto territorial primitivo. Ele não a via como uma sócia ou uma mulher independente; ele a via como um tesouro que precisava ser guardado sob sete chaves.

​— Se você fizer isso — ela sussurrou, a voz trêmula de raiva e uma pontada de medo —, você vai destruir tudo o que aconteceu ontem à noite. Eu não vou amar um carcereiro, Killian. Eu vou te odiar com cada fibra do meu ser.

​Killian inclinou-se, roçando o nariz no dela, seu hálito de café e desejo atingindo o rosto de Mariane.

— Então me odeie, Mariane. Mas me odeie aqui dentro, onde eu possa te tocar. Onde eu possa te lembrar, todas as noites, a quem você pertence. Você quer guerra? Eu te darei guerra. Mas você não sai desta cobertura.

​Ele se afastou, pegando seu paletó na cadeira e saindo em direção ao elevador privativo sem olhar para trás. O som do bip eletrônico confirmando o bloqueio das saídas ecoou pela sala como o fechamento de uma cela de luxo.

​Mariane ficou sozinha na sala vasta, tremendo de fúria. Ela olhou para a mesa de café da manhã impecável e, em um acesso de raiva, varreu as louças de porcelana para o chão com um braço, ouvindo o som gratificante do cristal se estilhaçando.

​Ele achava que podia domá-la? Ele achava que a seda e o sexo seriam suficientes para fazê-la baixar a cabeça? Killian Blackwood estava prestes a aprender que uma loba enjaulada é muito mais perigosa do que uma loba livre. E se ele queria um monstro, era exatamente isso que ela se tornaria.

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