Mundo ficciónIniciar sesiónMariane não conseguia se livrar da sensação da mão de Killian em sua coxa. Mesmo depois de se trancar no quarto — o que não era garantia de nada, graças àquela porta de vidro sem tranca —, o calor da pele dele ainda queimava como uma brasa. A raiva fervilhava dentro dela, mas misturada a ela, uma onda de desejo que a deixava confusa e furiosa consigo mesma. Ele a dominava, e ela odiava o fato de seu corpo responder.
Ela se olhou no espelho do banheiro, o vestido de seda preta ainda em seu corpo. O reflexo mostrava não uma vítima, mas uma loba com olhos desafiadores. Killian queria vê-la? Queria testar seus limites? Muito bem. Ela o faria desejar nunca ter instalado um vidro fosco entre os quartos deles. Com um sorriso determinado, Mariane despiu-se lentamente. A seda escorregou pelo seu corpo, revelando a pele alva e os contornos perfeitos. Ela jogou o vestido sobre uma cadeira, os olhos fixos na parede de vidro fosco que separava seu quarto do dele. Ela sabia que, mesmo com as luzes apagadas no lado dele, a silhueta dela seria perfeitamente visível se a luz do seu quarto estivesse acesa. E ela faria questão de deixá-la acesa. Ela ligou a água da banheira de hidromassagem, adicionando sais de banho que perfumavam o ar com uma mistura de jasmim e baunilha, um aroma que se espalharia por todo o apartamento, alcançando o quarto dele. Enquanto a banheira enchia, Mariane caminhou até a cômoda, abriu a pequena nécessaire de viagem e tirou um óleo corporal. Ela começou a espalhá-lo lentamente pelos braços, sentindo o toque sedoso na pele. Cada movimento era deliberado, calculado. Ela sabia que Killian poderia estar observando, talvez com um copo de uísque na mão, a mandíbula travada enquanto ela se preparava. Ela esfregou o óleo nos ombros, sentindo os músculos relaxarem enquanto sua mente se focava em sua vingança. O óleo desceu pelo seu colo, massageado com as pontas dos dedos, e ela inclinou a cabeça para trás, deixando o cabelo dourado cair sobre seus ombros. Em seguida, ela se ajoelhou à beira da banheira, sentindo o vapor quente em seu rosto. Ela mergulhou na água perfumada, os jatos massageando suas costas. Mas mesmo imersa na água, ela não se permitiu relaxar completamente. Cada movimento era uma provocação. Ela deixou a água beijar seus seios, observou as bolhas dançarem ao redor de sua pele e escorregou os dedos pelas coxas, sentindo a memória do toque de Killian ainda fresca. Ela fechou os olhos por um instante, imaginando o que ele estaria fazendo do outro lado do vidro. Estaria ele deitado, tentando ignorar a imagem dela? Ou estaria ele em pé, de olhos fixos no fosco, tentando decifrar cada movimento? A ideia a fez sorrir. Ao sair do banho, Mariane não se enrolou apressadamente na toalha. Ela se secou lentamente, cada gesto uma dança para a silhueta observadora. Ela espalhou loção corporal perfumada por todo o corpo, demorando-se nas curvas, nos seios, na parte interna das coxas. Ela sentia o poder de seu próprio corpo, e sabia que Killian, o Alfa que se orgulhava de seu controle, estava sendo testado como nunca antes. Ela caminhou até o espelho e começou a escovar os cabelos molhados. A luz do quarto acentuava cada curva do seu corpo nu, e a umidade em seus cabelos criava uma aura etérea. Ela se virou de lado, observando sua própria imagem, e o vidro fosco que a separava dele. Mariane então pegou um roupão de seda, mas não o vestiu. Em vez disso, ela o deixou deslizar pelos ombros, apenas o suficiente para cobrir os mamilos endurecidos pelo frio e pela excitação da vingança. Ela caminhou até a parede de vidro fosco, parando a poucos centímetros da superfície. Do outro lado, no quarto escuro de Killian, ele estava de pé. O copo de uísque esquecido em sua mão, os olhos fixos na silhueta luminosa do outro lado do vidro. Ele podia ver a curva do ombro dela, o movimento de suas mãos, a forma como a luz delineava o corpo perfeito. O cheiro de jasmim e baunilha invadia seu quarto, torturando cada fibra de seu ser. Ele podia sentir o calor dela, a umidade dela, e o desejo de arrombar aquela porta de vidro e tomá-la estava corroendo sua última camada de autocontrole. Mariane encostou a palma da mão no vidro fosco. E através da superfície, Killian viu o contorno da mão dela, tão próxima da sua que ele sentiu um choque elétrico. Ela sabia que ele estava ali. Ela sabia que ele a estava assistindo. E então, com um sorriso vitorioso que ele não podia ver, mas podia sentir, Mariane sussurrou uma última provocação que ele não podia ouvir, mas que o infernizaria até o amanhecer: — Boa noite, Killian. Durma bem. Ela apagou as luzes do quarto, deixando-o na escuridão, com a imagem dela gravada em sua mente e o cheiro dela em seus pulmões. Killian jogou o copo de uísque contra a parede do seu quarto, o som estilhaçando o silêncio. Ele havia subestimado Mariane Valerius. Ela era mais do que um contrato. Ela era um furacão vestido de seda, e ele estava prestes a ser arrastado pela tempestade.






