Capítulo 5: Tensão na Superfície

​A manhã em Blackwood Heights nasceu clara e impiedosa. Mariane acordou com a sensação de vitória da noite anterior ainda vibrando em sua pele, mas bastou um olhar para o vidro fosco para lembrar que o predador morava ao lado. Killian não deu as caras no café da manhã, mas deixou um bilhete curto e de caligrafia agressiva na mesa de mármore: "Área da piscina. Meio-dia. Não se atrase."

​Quando Mariane cruzou as portas de vidro que levavam ao terraço, o sol de meio-dia refletia-se na piscina de borda infinita que parecia desaguar diretamente no horizonte da cidade. Killian já estava lá. Ele vestia apenas um calção de natação preto, e a visão de seu corpo sob a luz natural era quase ultrajante. As cicatrizes de batalhas passadas cruzavam seus músculos abdominais esculpidos como cordas de aço, e a água escorria por seus ombros largos enquanto ele saía da piscina com a agilidade de um animal marinho.

​— Você demorou — ele disse, sem olhar para ela, pegando uma toalha. A voz dele estava mais grave do que o normal, um sinal claro de que a noite de insônia causada pelo "show" de Mariane deixara marcas.

​— Pensei que Alfas gostassem de esperar pelo que é valioso — ela rebateu, retirando a saída de banho de linho branco.

​Por baixo, ela usava um biquíni azul-marinho de corte ousado, que contrastava perfeitamente com sua pele clara. Pela primeira vez naquelas vinte e quatro horas, Mariane viu a máscara de controle de Killian rachar. Os olhos dele percorreram o corpo dela, detendo-se nas curvas que ele apenas imaginara através do vidro fosco. O pomo de adão dele moveu-se em um gole seco.

​— Você se acha muito esperta com seus joguinhos de luz e sombra, Mariane — ele disse, caminhando até ela. O cheiro de cloro e pele aquecida pelo sol era uma mistura perigosa. — Mas aqui fora, não há vidro para te proteger.

​— Eu não preciso de proteção, Killian. Preciso de liberdade.

​— Liberdade? — Ele soltou um riso curto e sombrio. — Vamos fazer um trato. Uma competição. Duas voltas na piscina, nado livre. Se você vencer, eu te dou uma chave para a porta entre nossos quartos. Você terá a privacidade que tanto reclama.

​Mariane semicerrou os olhos. O prêmio era tentador demais.

— E se você vencer?

​Killian inclinou-se, o rosto a milímetros do dela. O calor que emanava dele era superior ao do sol.

— Se eu vencer, você passará a noite no meu quarto. Sem vidro. Sem roupas. Apenas você e as consequências das suas provocações.

​O coração de Mariane deu um solavanco. Era uma aposta alta, quase suicida. Mas a loba dentro dela, alimentada pelo desafio, não permitiu que ela recuasse.

— Aceito.

​Eles se posicionaram na borda. Ao sinal de Killian, ambos mergulharam simultaneamente. A água fria foi um choque térmico, mas a adrenalina era mais forte. Mariane nadava com uma técnica impecável, seus braços cortando a água com precisão. Mas Killian era uma força da natureza. Seus movimentos eram poderosos, explosivos. Ele não nadava; ele dominava a água.

​Na primeira volta, eles estavam emparelhados. Mariane podia ver o vulto dele sob a água, uma massa de músculos em movimento rítmico. Na virada, ela usou a borda para impulsionar-se com mais força, ganhando uma pequena vantagem. Mas Killian, com sua força de Alfa, recuperou o terreno em segundos.

​Foi na metade da segunda volta que as coisas mudaram. Killian não tentou apenas ultrapassá-la. Ele mergulhou mais fundo e, em um movimento rápido, segurou o tornozelo dela sob a água. Mariane parou bruscamente, o susto fazendo-a soltar bolhas de ar. Antes que ela pudesse protestar, ele a puxou para baixo, em direção ao fundo da piscina.

​Sob a água azul e silenciosa, o mundo parecia suspenso. Killian envolveu a cintura dela com os braços, puxando o corpo de Mariane contra o seu. O biquíni dela era uma barreira mínima entre a pele deles. Ela tentou empurrá-lo, mas o toque dele era possessivo, os olhos dele abertos sob a água, fixos nos dela com uma intensidade que beirava o insuportável.

​Ele pressionou os lábios contra o pescoço dela sob a água, uma carícia proibida que fez Mariane esquecer que precisava respirar. A flutuação os mantinha em um abraço fluido, onde cada curva dela se encaixava na rigidez dele. O desejo, reprimido por dias de contrato e ódio, explodiu como uma corrente elétrica.

​Quando seus pulmões começaram a queimar, eles emergiram juntos, ofegantes, no centro da piscina. Mariane limpou a água dos olhos, os cabelos dourados colados ao rosto. Killian ainda a segurava pela cintura, mantendo-a presa contra a parede de azulejos.

​— Você trapaceou! — ela exclamou, tentando recuperar o fôlego, mas sua voz não tinha a raiva que ela pretendia. Estava carregada de desejo.

​— Eu nunca disse que jogaria limpo, Mariane — ele rosnou, a voz rouca, a água escorrendo por seu rosto esculpido. — Eu sou um Alfa. Eu tomo o que eu quero, e eu queria você aqui, onde não pode fugir.

​Ele aproximou o rosto, e Mariane sentiu o roçar de seus lábios nos dela. Não era um beijo, era uma tortura. Ele beijava os cantos de sua boca, descendo pela linha da mandíbula, enquanto sua mão sob a água subia pela coxa dela, repetindo o trajeto do jantar, mas agora sem a seda do vestido para impedi-lo.

​— A competição não acabou — ela sussurrou, embora seu corpo estivesse amolecendo sob o toque dele.

​— Ela acabou no momento em que você aceitou a aposta — Killian disse, a mão dele agora firme em sua nuca, forçando-a a olhar para ele. — Você perdeu, Mariane. E eu pretendo cobrar minha dívida com juros esta noite.

​Ele a soltou e saiu da piscina, deixando-a flutuando, sozinha e trêmula. Mariane olhou para o céu, o coração acelerado. Ela havia perdido a aposta, mas ao ver as costas largas de Killian se afastando, ela percebeu que, talvez, a derrota fosse exatamente o que ela desejava desde o primeiro momento em que assinou aquele contrato de luxo.

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