Mundo de ficçãoIniciar sessãoUma única noite mudou a vida de Anny Sophia Rosa para sempre. Sozinha, ela criou o filho que nasceu daquele encontro inesperado… sem imaginar que um dia o destino colocaria o pai da criança novamente em seu caminho. Quando o poderoso empresário Rafael Barcellos descobre que tem um filho, ele faz uma proposta inesperada: um casamento por contrato para proteger sua reputação e dar estabilidade ao menino. Era para ser apenas um acordo. Mas dividir a mesma vida pode despertar sentimentos que nenhum dos dois estava preparado para enfrentar.
Ler maisAnny Sophia RosaQuinze dias.Quinze dias desde o enterro de Rogério.Quinze dias desde que nossa família aprendeu da pior maneira possível que a vida podia mudar em segundos.Ainda parecia errado o mundo continuar funcionando normalmente depois daquilo.As pessoas continuavam indo trabalhar.As crianças continuavam indo para escola.Os carros continuavam enchendo as ruas.O sol continuava nascendo.Mas dentro da gente…Dentro da nossa família…Alguma coisa tinha parado.Os primeiros dias foram os piores.Minha mãe praticamente passou a morar na casa do Toninho e da Simone porque nenhum dos dois conseguia ficar sozinho.Simone quase não falava mais.Ela apenas existia.Andava pela casa devagar, segurando uma camisa do Rogério contra o peito como se ainda pudesse sentir o cheiro dele ali.E Toninho…Meu Deus.Meu irmão envelheceu anos em poucos dias.As olheiras profundas.O olhar perdido.A culpa constante esmagando ele por dentro.Porque não importava quantas vezes todos nós disséss
Rafael BarcellosNunca pensei que um cemitério pudesse mudar uma pessoa,mas mudou.Mudou meu jeito de respirar.Meu jeito de olhar para Enzo.Meu jeito de segurar a mão da Anny.Mudou tudo.O som da terra caindo sobre o pequeno caixão de Rogério ainda parecia ecoar dentro da minha cabeça mesmo depois que o enterro terminou.Aquilo não saía de mim.Porque nenhuma pessoa deveria assistir uma criança sendo enterrada.Nenhum pai deveria precisar se despedir do próprio filho daquele jeito e principalmente… nenhum homem deveria ouvir o som que Toninho fez quando o caixão começou a descer.Meu Deus.Aquilo não parecia humano.Parecia o som de alguém sendo destruído vivo.Segurei Enzo no colo durante boa parte do sepultamento porque nosso filho estava assustado. Quieto demais. Sensível demais.Porque enquanto observava Toninho desmoronar diante daquele túmulo, a única coisa que eu conseguia pensar era:“E se fosse o Enzo?”Só aquela possibilidade já fazia meu peito travar completamente.Anny
Anny Sophia RosaNunca imaginei que um dia pisaria num cemitério carregando uma dor tão grande dentro do peito.Mas naquela manhã cinzenta parecia que o mundo inteiro tinha perdido a cor junto com a gente.O enterro de Rogério aconteceu dois dias depois.Dois dias que pareceram dois anos.Dois dias vendo minha família completamente destruída enquanto tentávamos entender como continuar respirando depois de perder uma criança.Porque era isso que mais doía.Rogério era só uma criança.Seis anos.Seis anos era pouco demais para morrer.Pouco demais para um caixão tão pequeno.Aquilo acabava comigo.Acordei cedo naquela manhã sentindo um peso absurdo no peito.O quarto estava silencioso.Pesado.Rafael já estava acordado sentado na beirada da cama enquanto ajustava calmamente a manga da camisa preta.Ele parecia exausto.Os olhos claros carregavam aquele cansaço emocional que nem o homem mais forte do mundo consegue esconder.Porque aqueles últimos dias tinham machucado todos nós.Princip
Lucas Antônio RosaSe alguém tivesse me perguntado naquela manhã como seria meu dia, eu teria respondido qualquer coisa.Que trabalharia.Que levaria bronca da Simone porque deixei ferramenta espalhada pelo quintal.Que Rogério provavelmente apareceria sujo de terra depois de inventar alguma brincadeira impossível.Qualquer coisa.Menos aquilo.Porque a verdade é que nenhum pai acorda imaginando que aquele pode ser o último dia ao lado do filho.Nenhum.A manhã tinha começado normal.Ridiculamente normal.E talvez fosse exatamente isso que tornava tudo ainda mais cruel agora.O sol estava forte no quintal da nossa casa enquanto eu tentava consertar uma bicicleta velha junto com Juliano, meu filho mais velho.Juliano tinha oito anos e uma personalidade completamente diferente do irmão.Mais quieto.Mais observador.Enquanto Rogério…Meu Deus.Rogério parecia ter nascido com energia infinita dentro do corpo.O menino não parava.Corria.Gritava.Subia nos lugares.Inventava histórias ab





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