Mundo de ficçãoIniciar sessãoUma única noite mudou a vida de Anny Sophia Rosa para sempre. Sozinha, ela criou o filho que nasceu daquele encontro inesperado… sem imaginar que um dia o destino colocaria o pai da criança novamente em seu caminho. Quando o poderoso empresário Rafael Barcellos descobre que tem um filho, ele faz uma proposta inesperada: um casamento por contrato para proteger sua reputação e dar estabilidade ao menino. Era para ser apenas um acordo. Todo mundo pensa assim. Mas o destino disse: Não! Dividir a mesma vida pode despertar sentimentos que nenhum dos dois estava preparado para enfrentar. Será que ela vai construir uma casa para o filho e aceitar esse marido por acordo? Ou optaria pelo divórcio? Anny se viu numa encruzilhada em sua vida...
Ler maisAnny Sophia Rosa
Se alguém tivesse me contado, cinco anos atrás, que minha vida seria exatamente assim, eu provavelmente teria rido.
Não porque fosse impossível… mas porque eu nunca imaginei que seria tão complicada.
— Mãe! Você esqueceu minha garrafinha! — a voz apressada de Enzo ecoou pela sala antes mesmo de eu conseguir fechar a bolsa.
Suspirei.
Era sempre assim nas manhãs de segunda-feira.
— Eu não esqueci — respondi, caminhando até a cozinha e pegando a garrafinha azul sobre a mesa. — Só estava esperando o senhor lembrar que precisa beber água.
Ele apareceu na porta com a mochila quase maior que o próprio corpo e o cabelo castanho completamente bagunçado, como se fosse impossível de domar.
Cinco anos.
Cinco anos desde o dia em que descobri que estava grávida.
Cinco anos desde que minha vida virou completamente de cabeça para baixo.
E, ainda assim, toda vez que eu olhava para ele, sentia aquela mesma mistura de amor e medo apertando meu peito.
— Aqui — estendi a garrafinha.
Enzo pegou e sorriu.
O tipo de sorriso capaz de iluminar qualquer dia ruim.
— Obrigado, mãe.
Abaixei-me diante dele para arrumar a gola da camisa do uniforme.
— Você estudou para a atividade de hoje?
Ele fez uma careta dramática.
— Mãe… é só desenho.
— Desenho também precisa de dedicação — respondi, tentando parecer séria.
Ele cruzou os braços e estreitou os olhos.
— Você fala igual a tia Valesca.
Não consegui evitar o riso.
— Talvez porque ela esteja certa.
Ele bufou, mas logo abriu um sorriso novamente. Enzo tinha esse jeito leve de enxergar a vida… algo que eu, sinceramente, não tinha mais.
Peguei minha bolsa e as chaves enquanto ele corria até a porta.
Nosso apartamento era pequeno, mas aconchegante. Dois quartos, uma sala simples e uma cozinha que mal cabia duas pessoas ao mesmo tempo. Nada luxuoso, nada sofisticado… mas era nosso, e eu tinha orgulho de cada detalhe daquele lugar.
Cada móvel comprado com esforço.
Cada parede pintada com paciência.
Tudo ali representava uma escolha que fiz há cinco anos:
Criar meu filho sozinha.
Quando saímos do prédio, o sol ainda estava tímido no céu da manhã. O bairro começava a despertar lentamente — algumas lojas abrindo, o cheiro de pão fresco vindo da padaria da esquina, o barulho distante dos ônibus passando pela avenida principal.
Enzo segurou minha mão enquanto caminhávamos pela calçada.
— Mãe?
— Hum?
— Hoje você vai trabalhar até tarde?
— Um pouco — respondi com cuidado. — Mas a vovó Teresa vai te buscar na escola.
Ele pensou por alguns segundos.
— Tudo bem.
Mas eu sabia que ele preferia que fosse eu… e aquilo sempre deixava uma pontinha de culpa dentro de mim.
Trabalhar não era uma escolha.
Era uma necessidade.
Ser mãe solteira significava aprender a fazer mil coisas ao mesmo tempo.
Ser forte, mesmo quando tudo parecia difícil.
Ser suficiente… por dois.
Chegamos ao portão da escola poucos minutos depois.
Crianças correndo, pais conversando, professores organizando a entrada dos alunos.
Era um cenário comum, mas que sempre me deixava um pouco pensativa.
Observei Enzo conversando animadamente com um amigo enquanto esperávamos a fila andar.
Ele era inteligente.
Curioso.
Cheio de perguntas sobre o mundo… às vezes perguntas que eu simplesmente não sabia responder.
Como aquela, feita alguns meses atrás:
“Mãe… quem é meu pai?”
Meu peito apertou só de lembrar.
Respirei fundo.
Eu sempre soube que aquele momento chegaria… mas nunca parece existir uma resposta perfeita para algo assim.
Quando finalmente chegou a vez dele entrar, ajoelhei-me diante dele.
— Comporte-se hoje, senhor Enzo Rosa.
Ele fez uma saudação exagerada.
— Sim, senhora.
Balancei a cabeça, rindo.
— Depois me conta como foi o desenho.
— Vou desenhar um dinossauro gigante!
— Claro que vai.
Dei um beijo em sua testa.
— Eu te amo.
Ele sorriu.
— Eu também te amo, mãe.
E então correu para dentro da escola.
Fiquei ali por alguns segundos, observando até que ele desaparecesse pelo corredor. Era um hábito meu… certificar-me de que ele estava seguro.
Só depois comecei a caminhar de volta para a rua, mas, assim que dei alguns passos, ouvi um barulho diferente vindo do estacionamento lateral da escola.
Um carro.
Na verdade é um carro muito caro.
Preto, brilhante, luxuoso de um jeito que parecia completamente fora de lugar naquele bairro simples.
Franzi a testa, curiosa.
Não demorou muito para as portas se abrirem e dois homens descerem primeiro.
Reconheci imediatamente que eram seguranças, apenas pela forma atenta com que observavam tudo ao redor.
Logo depois ele saiu do carro.
Alto, forte e elegante. Vestia um terno perfeitamente ajustado ao corpo, como se tivesse sido feito sob medida. A postura era de alguém acostumado a comandar ambientes inteiros apenas com a própria presença.
Não consegui ver seu rosto direito naquele primeiro momento, mas havia algo nele que prendeu minha atenção.
Algo estranho.
Como uma sensação incômoda na memória.
Ele conversou rapidamente com um dos seguranças e começou a caminhar em direção ao portão da escola.
Meu instinto dizia para simplesmente ir embora e seguir meu caminho.
Mas, por algum motivo, meus olhos continuaram acompanhando cada passo daquele homem.
Quando ele finalmente se aproximou da entrada, o sol iluminou seu rosto…
E o meu coração parou.
Não.
Não podia ser.
Era ele.
O homem com quem eu havia passado uma única noite… cinco anos atrás.
O homem que nunca mais vi.
O homem que… era o pai do meu filho.
Meu corpo inteiro ficou rígido.
Eu deveria ter ido embora naquele exato momento.
Deveria ter fingido que nunca o vi.
Mas algo — talvez curiosidade, talvez medo — me fez dar alguns passos em direção a ele.
Foi então que ouvi sua voz.
Grave, fria e ao mesmo tempo perigosamente envolvente.
— Onde está o responsável por essa escola?
Anny Sophia Rosa MartinsA casa estava viva, como sempre esteve nos últimos anos, mas de um jeito diferente. Havia risos vindos da sala, passos apressados, vozes cruzadas, o choro leve de um bebê sendo embalado e a discussão interminável de Azaléia sobre alguma teoria que provavelmente não faria sentido para ninguém além dela mesma.E, ainda assim, tudo aquilo parecia perfeitamente encaixado.Como peças de um mesmo destino.Sentei-me devagar na varanda, sentindo o calor suave do fim de tarde tocar minha pele. Rafael já estava ali antes de mim. Como sempre esteve em tantos outros momentos da nossa vida. Ele segurava uma xícara de café, mas não bebia. Apenas observava.Segui seu olhar.Dentro da sala, Enzo estava sentado no chão com o filho nos braços, falando algo com entusiasmo enquanto Helena ria ao lado. Azaléia estava em pé, gesticulando como se estivesse apresentando uma teoria científica sobre o comportamento de algo que ninguém mais conseguia acompanhar. Lucas a observava com aq
Anny Sophia Rosa MartinsA luz do sol atravessava as cortinas do quarto, iluminando o rosto de Rafael, que ainda dormia ao meu lado. Os fios brancos em seus cabelos já não eram novidade. As marcas ao redor dos olhos também não.Mas existia algo reconfortante em observar aquele homem depois de tantos anos.Lembrei de tudo o que passamos com os nossos filhos e sorri ao lembrar que o empresário de sucesso, a "geleira siberiana", agora fazia caretas para o neto.A vida realmente havia sido generosa conosco.Rafael abriu os olhos devagar.— Por que está me olhando desse jeito?Sorri.— Estou verificando se você ficou mais velho durante a noite.Ele suspirou.— Isso é crueldade logo cedo.Aproximei-me e beijei seu rosto.— Você continua bonito.Ele levantou uma sobrancelha.— Está querendo alguma coisa?— Apenas o café da manhã.Ele riu.Algumas coisas nunca mudavam.Descemos juntos.A casa já não era a mesma a muito, mas também nunca esteve tão cheia.Enzo e Helena haviam chegado no dia an
Enzo Rosa Martins BarcellosSempre acreditei que existiam poucos momentos capazes de mudar completamente a vida de uma pessoa, mas descobri que existe algo maior do que tudo isso.Segurar o próprio filho nos braços.Acordei antes do despertador. Na verdade, nem sei se realmente consegui dormir. Helena ainda descansava ao meu lado, embora eu soubesse que ela também estava tão ansiosa quanto eu.Nos últimos meses, conversamos sobre o bebê praticamente todos os dias. Escolhemos o quarto, compramos roupas, discutimos nomes e imaginamos como seria o rosto do nosso filho.Ainda assim, nada me preparou para aquele dia.O hospital parecia silencioso demais.As horas passavam devagar.Helena apertava minha mão durante as contrações, e eu tentava permanecer calmo, embora meu coração estivesse acelerado de uma maneira que jamais havia sentido.Eu já havia participado de escavações.Já havia apresentado pesquisas diante de especialistas.Já havia defendido teorias diante de professores renomados.
Anny Sophia RosaHouve uma época em que temia o futuro porque não sabia como criaria meu filho, não sabia como pagaria as contas e não fazia ideia do que a vida ainda reservaria para mim.Depois Rafael entrou em nossas vidas.Depois Azaléia nasceu.Depois nossa casa foi sendo preenchida por risadas, discussões sobre dinossauros, teorias sobre zumbis, trabalhos escolares, noites em claro, aniversários, choros, abraços e todas aquelas pequenas coisas que transformam uma casa em um lar.Agora, tantos anos depois, o silêncio havia voltado.Mas era diferente.Era um silêncio cheio.Cheio de lembranças.Cheio de orgulho.Cheio de amor.Acordei antes de Rafael. O quarto ainda estava escuro e, por alguns segundos, fiquei observando o homem que dormia ao meu lado. Alguns fios brancos já dominavam seus cabelos. As marcas do tempo apareciam em seu rosto. As responsabilidades dos últimos anos haviam deixado suas próprias cicatrizes, mas ele continuava sendo o meu Rafael.O homem que segurou minha
Último capítulo