Mundo ficciónIniciar sesiónRafael Barcellos
Eu não acreditava muito em coincidências, na verdade, durante toda a minha vida aprendi que coincidências quase sempre escondiam alguma lógica que as pessoas simplesmente ainda não tinham percebido. No mundo dos negócios, por exemplo, não existia sorte — existia estratégia, planejamento e pessoas que sabiam exatamente o que estavam fazendo.
Era assim que eu conduzia minha vida e foi assim que construí o Grupo Barcellos.
— Senhor Barcellos?
A voz da diretora me trouxe de volta ao presente. Ela ainda estava parada à minha frente, claramente nervosa.
— Sim? — respondi, ajustando o punho do meu terno.
— Como eu estava dizendo, a manutenção do parquinho já foi solicitada. Garantimos que algo assim não voltará a acontecer.
Assenti brevemente.
Minha visita ali tinha um motivo específico.
A filha de um dos investidores do grupo havia se machucado no escorregador da escola no dia anterior. Nada grave, mas o pai da menina fez questão de ligar diretamente para mim, reclamando sobre a segurança do local.
Quando investidores importantes ficavam insatisfeitos, aquilo se tornava automaticamente um problema meu.
E eu resolvia problemas, simples assim.
— Espero que realmente resolvam — falei calmamente. — Crianças merecem segurança.
— Claro, senhor Barcellos.
Ela parecia ansiosa para encerrar aquela conversa, e eu também estava com pressa para retornar à empresa.
Mas, ao me virar, acabei trombando com um garotinho que estava correndo com seus amigos.
— Enzo Rosa, por que está correndo? — a diretora gritou. — O senhor está bem, senhor Barcellos? — ela perguntou logo em seguida.
Olhei para ela por alguns segundos, sem responder imediatamente.
— A senhora não deveria verificar se o menino está bem? — disse, com o tom firme.
Ela pareceu se dar conta do próprio erro e rapidamente se apressou até o garoto.
— Me desculpe, senhor… — o menino disse, olhando para mim. — Eu estava correndo e acabei batendo no senhor.
Logo em seguida, ele se abaixou para pegar um brinquedo que havia caído no chão.
Um dinossauro.
— Pede desculpa também, braquiossauro — completou, falando com o brinquedo.
Observei a cena por um instante e, para minha surpresa, achei até engraçado.
— O dinossauro não fala — comentei.
Ele me encarou imediatamente, sério.
— Moço, eu sei que eles não falam. São só brinquedos, mas eu finjo que eles falam. Esse aqui é um braquiossauro.
Ele levantou o brinquedo na minha direção. Peguei para observar melhor.
— Você entende sobre dinossauros? — perguntei.
Ele assentiu, animado.
— Claro que sim! Espera que eu vou te mostrar umas coisas.
Antes que eu pudesse responder, ele saiu correndo e voltou poucos segundos depois com mais três dinossauros nas mãos.
— Esse aqui é o velociraptor, esse é o triceratops e esse outro é o estegossauro.
Para mim, todos pareciam iguais, mas, em poucos minutos, ele começou a explicar cada diferença com uma empolgação impressionante.
O jeito como falava, a segurança, a inteligência… era incomum para uma criança daquela idade.
— Esse aqui corre rápido, esse tem chifres, esse tem placas nas costas — ele apontava um por um, completamente envolvido.
Ouvi tudo em silêncio, e, de alguma forma, aquilo era interessante.
Não demorou muito para que um dos amigos o chamasse e ele pegou os brinquedos rapidamente.
— Tchau, moço!
Acenei de leve com a cabeça.
— Tchau.
A diretora se aproximou novamente, visivelmente constrangida.
— Me desculpe, senhor Barcellos.
— Não tem problema — respondi. — Eu gosto de conversar com crianças inteligentes.
Ela sorriu, um pouco mais aliviada.
— Esse menino é realmente muito inteligente. Ele entende tudo sobre dinossauros.
— Continue incentivando — falei. — Quem sabe ele não se torna um grande historiador no futuro.
Ela assentiu sem mais nada a acrescentar, me retirei. Ao entrar no carro, meu assistente já estava à minha espera.
Assim que me sentei, ele me lançou um olhar curioso.
— O senhor percebeu a semelhança? — perguntou.
Franzi levemente o cenho.
— Que semelhança?
— Entre o senhor e o menino com quem estava conversando.







