Mundo de ficçãoIniciar sessãoArrogante, frio e imponente — Andrew Collins construiu seu nome no topo da obstetrícia em Nova York com mãos firmes e um coração inacessível. Herdeiro de uma dinastia lendária de cirurgiões, ele sempre soube exatamente quem era… e até onde podia ir. Até Rafaela. Desde o primeiro encontro, ela foi o único desvio em uma vida traçada com precisão. Simples, forte e completamente fora do seu mundo, Rafaela nunca pertenceu ao cenário luxuoso que o cerca — e, ainda assim, foi a única escolha que Andrew fez sem calcular consequências. Ao lado dela, ele desafiou expectativas, enfrentou diferenças e sustentou um amor que jamais deveria ser fácil. Mas o destino não pede permissão. No instante em que Rafaela descobre que carrega uma nova vida, tudo muda. O que deveria ser o começo de um novo capítulo se transforma em incerteza quando um acidente inesperado coloca Andrew entre a vida e a morte. E, pela primeira vez, o homem que sempre teve o controle de tudo não pode lutar. As vezes, quando tudo está prestes a começar, é exatamente quando tudo pode acabar.
Ler mais~Andrew Collins~
Rafaela entrou. A cena que ela encontrou não deixava espaço para explicações imediatas: eu ainda segurava Addison pelos braços, nossos rostos próximos demais, e o vestígio de batom era uma prova cruel de algo que nunca deveria ter acontecido. Eu nunca vou esquecer a expressão dela. Não havia gritos, nem descontrole, apenas uma decepção silenciosa que parecia muito mais devastadora do que qualquer explosão de raiva. Empurrei Addison para longe imediatamente e dei um passo na direção de Rafaela, sentindo o coração acelerar de forma descompassada. — Rafaela, não é o que você está pensando — tentei explicar, mas minha própria voz parecia insuficiente diante do que ela estava vendo. Ela apenas negou com a cabeça, os olhos marejados, recusando-se a me ouvir. Antes que eu pudesse me aproximar mais, ela se virou e saiu, batendo a porta com força. Corri atrás dela sem hesitar, atravessando o corredor principal, mas quando alcancei a saída, ela já havia desaparecido. Voltei para minha sala tomado por uma mistura de raiva e urgência. O que Addison havia feito era imperdoável, mas naquele momento aquilo era secundário. Rafaela vinha em primeiro lugar. Peguei a chave do carro com a intenção de ir atrás dela, mas algo próximo à porta chamou minha atenção. Um envelope branco. Provavelmente havia caído enquanto ela saía. Peguei sem pensar, movido por uma intuição que eu não sabia explicar. Ao abrir, senti o ar faltar. Era um exame. Positivo. Por um instante, tudo ao meu redor perdeu o som, como se o mundo tivesse sido subitamente silenciado. — Grávida… — murmurei, sem acreditar mais no fundo já imaginava. Meus olhos se encheram. Ela tinha vindo me contar. Um filho. Meu filho. Era tudo o que eu mais desejava, e, ainda assim, naquele mesmo dia, eu consegui destruir tudo. Passei a mão pelo rosto, tentando organizar pensamentos que simplesmente não se encaixavam. Aquilo não podia estar acontecendo daquela forma. No caminho até a cobertura, tentei ligar inúmeras vezes, mas o telefone dela não completava a chamada. Quando cheguei, fui recebido por um silêncio sufocante. Ela não estava lá. A ausência dela transformava aquele lugar em algo irreconhecível. A noite avançava, e a angústia crescia a cada tentativa frustrada de contato, até que decidi ligar para Lorenzo. Eu sabia que Rafaela procuraria Clara, porque as duas eram inseparáveis. Quando ele atendeu, a notícia veio como uma sentença. Rafaela havia pedido transferência para a unidade da Maison em Amsterdã e, em meio a lágrimas, implorou para ser enviada o mais rápido possível. O avião já havia decolado. Sem despedidas. Sem explicações. Senti algo dentro de mim ceder naquele instante, como se uma estrutura inteira desmoronasse de uma vez só. Tudo aquilo era um mal-entendido, e eu não permitiria que um erro roubasse minha família de mim, ainda mais agora. Desliguei o telefone e, sem hesitar, dei a ordem. — Preparem o jatinho. Vou usá-lo agora. Minha voz saiu fria, firme, sem espaço para questionamentos. Charlotte ainda tentou argumentar, dizendo que o piloto levaria algum tempo para chegar, mas eu a interrompi antes que terminasse. — Eu não preciso de piloto. Minutos depois, já estava no hangar. Voar sempre foi um hobby, algo que eu dominava o suficiente para confiar, e naquele momento não havia espaço para prudência. Havia apenas urgência. O motor rugiu, cortando o ar, enquanto a imagem de Rafaela não saía da minha mente: o olhar ferido, a dor silenciosa, a forma como ela se recusou a me ouvir. Era um mal-entendido. Eu precisava fazê-la entender. Precisava olhar nos olhos dela e dizer que estava feliz, que aquele filho era tudo para mim. Levantei voo com destino a Amsterdã levando comigo pressa é culpa. Mas, no meio da escuridão, algo mudou. Um som agudo rompeu o silêncio da cabine. Um alerta. Depois outro. As luzes do painel começaram a piscar, e o controle da aeronave respondeu com atraso. Meu estômago revirou quando percebi que estava perdendo altitude. — Merda… — murmurei, tentando estabilizar. A tempestade ao redor piorava, e o avião já não respondia como deveria. Os alarmes soavam cada vez mais altos, misturando-se ao barulho do vento e ao impacto das gotas contra a fuselagem. Segurei o controle com força, tentando recuperar o domínio, mas o avião sacudiu violentamente. O mundo perdeu o eixo. No meio do caos, apenas um pensamento permaneceu intacto. Rafaela. E então tudo ficou escuro. Naquele instante, sem que ela soubesse e sem que eu pudesse impedir, eu desapareci da vida dela exatamente quando ela carregava dentro de si um pedaço de mim...Continuei golpeando a fuselagem com o pedaço de ferro usando a pouca força que ainda me restava. A cada impacto, minha visão escurecia um pouco mais, mas eu me recusava a parar. Aquela luz era a única esperança que eu tinha de sair dali vivo.De repente, o ronco de um motor se aproximou.O som ficou cada vez mais forte até parar ao lado dos destroços. A luz iluminou a aeronave destruída e, por alguns segundos, tudo ficou em absoluto silêncio.Então ouvi passos afundando na neve.— Tem alguém aí? — uma voz masculina gritou.As lágrimas invadiram meus olhos imediatamente.Eu não estava mais sozinho.Reunindo o pouco de energia que ainda possuía, bati novamente o ferro contra a ferragem.— Aqui! — consegui gritar.Minha voz saiu tão fraca que nem eu soube dizer se alguém seria capaz de ouvi-la.Segundos depois, o feixe de uma lanterna surgiu entre os destroços e iluminou meu rosto.O homem arregalou os olhos ao me encontrar preso entre as ferragens.— Meu Deus...Sem perder tempo, começo
~Na voz de Andrew~Abri os olhos no meio da escuridão absoluta e não enxergava um palmo à minha frente. Estava completamente desnorteado, sem entender onde estava ou o que havia acontecido. Durante alguns segundos, não consegui distinguir se ainda estava vivo ou se aquilo era algum tipo de pesadelo do qual eu não conseguia acordar.Uma dor brutal atravessava meu corpo inteiro.Foi então que percebi que estava pendurado de cabeça para baixo.O sangue, que eu não conseguia identificar de onde vinha, escorria pelo meu rosto, passava pelos meus olhos e pingava continuamente sobre os destroços. Tentei me mover, mas um gemido rouco escapou da minha garganta quando uma pontada violenta atravessou meu peito.A memória voltou aos poucos. Primeiro os sons do alarme da aeronave, depois a perda de altitude. Minha última lembrança era justamente daquela sensação de queda inevitável. O avião tinha caído.O pânico tomou conta de mim. Eu não fazia ideia de onde estava.— Socorro! — gritei com toda a
Então o desespero tomou conta da sala.Senti minhas pernas cederem e, por um instante, achei que fosse cair. Clara e Lorenzo, que estavam próximos, me ampararam antes que eu atingisse o chão. Meu corpo inteiro amoleceu, como se todas as forças tivessem sido arrancadas de mim de uma só vez.— Ai, meu Deus, Rafa... — Clara disse com a voz trêmula ao perceber meu estado.Tentei responder, mas minha voz simplesmente não saía.Michael atravessou a sala em poucos passos e segurou meus braços.— Vai ficar tudo bem, Rafaela. Está me ouvindo? Vai ficar tudo bem.Mas nem ele parecia acreditar nas próprias palavras.— Meu Deus... que sofrimento é esse? — dona Margareth chorava, levando as mãos ao rosto. — Quanto mais a nossa família ainda vai aguentar?As lágrimas escorriam sem controle pelo rosto dela.— Precisamos levá-la para o hospital agora. — Lorenzo declarou, inclinando-se para me pegar nos braços.— Eu vou levá-la. — Michael respondeu imediatamente, ainda visivelmente atordoado.Dona Mar
— Bebê? — dona Margareth repetiu, como se não tivesse certeza de ter ouvido corretamente.Michael interrompeu a discussão ao telefone e olhou imediatamente em nossa direção. O senhor Edward também levantou a cabeça. Pela primeira vez desde que eu havia chegado à cobertura, seus olhos pareciam realmente presentes.As lágrimas escorriam pelo meu rosto quando comecei a falar.— Eu estou grávida, dona Margareth.Minha voz saiu fraca, quebrada pelo choro.— Eu tinha acabado de descobrir. Fui contar para o Andrew no hospital, mas o encontrei nos braços da doutora Addison.Não consegui continuar. O restante das palavras morreu em meio ao choro. Clara me envolveu em um abraço apertado, tentando me sustentar.Dona Margareth levou as duas mãos à cabeça.— Meu Deus...A voz dela falhou.— Meu Deus, não...Ela começou a balançar a cabeça repetidamente, como se recusasse a realidade diante dela.— Outra vez não... Por favor, não outra vez...Michael caminhou rapidamente até a esposa e a segurou an










Último capítulo