Capítulo 03

Assim que saímos, o marido de Juliana estava esperando do lado de fora. Ele me ofereceu carona, e eu aceitei na hora, agradecida por não precisar gastar com Uber nem esperar ônibus por horas.

Cheguei na casa dos meus pais e, antes mesmo de entrar, ouvi as risadas.

Sorri automaticamente.

Meu pequeno príncipe devia estar contando alguma história, ele sempre fazia isso.

Meus pais adoravam cada segundo com ele.

Quando descobriram minha gravidez, foram os primeiros a me apoiar. Mesmo sabendo que tudo tinha acontecido de forma impulsiva, eles nunca me julgaram.

E era por isso que eu queria crescer na vida. Por eles. Pelo meu filho.

— Oi, filha! Seu semblante está abatido — meu pai comentou assim que entrei.

— Dia de inventário é assim mesmo — respondi.

Ele assentiu, compreensivo. Ele sabia bem como era, depois de tantos anos trabalhando em loja.

— Vem, mãe, senta aqui! — Enzo disse, pegando a sacola da minha mão.

— O que é isso? — perguntou curioso.

— Coisa boa — respondi, sorrindo. — Mas larga de ser curioso, menino.

Toquei a ponta do nariz dele, e ele fez uma careta.

— Sua mãe investe tudo em você — meu pai disse. — Então estuda bastante pra dar orgulho pra ela.

Enzo estufou o peito.

— Vou estudar muito! Vou ganhar muito dinheiro pra mamãe, pro vovô e pra vovó! A gente vai ter uma casa gigante, com piscina e um monte de empregados!

Não consegui segurar o riso.

— Filha… tem certeza que essa criança tem só cinco anos? — meu pai perguntou.

— Tenho sim — respondi, rindo. — O senhor e a mamãe estavam lá no parto, lembram?

Minha mãe apareceu com um prato de comida e um copo de suco.

— Come, minha filha. Você precisa se manter forte.

Sorri, emocionada.

— Obrigada, mãe.

Enquanto eu comia, Enzo contava tudo sobre o dia dele na escola. Meus pais disseram que já era a quinta vez que ele repetia a mesma história, mas, mesmo assim, ouviam como se fosse a primeira e, naquele momento, apesar de todo o caos dentro da minha cabeça, agradeci em silêncio pelos pais maravilhosos que tenho.

Após ter jantado, peguei Enzo, que já dava sinais de sonolência, e chamei um Uber para nos levar para casa. Assim que chegamos, o levei direto para o quarto.

— Mãe… — ele murmurou, já com os olhos quase fechando.

— Oi, meu amor.

— Você vai ficar comigo até eu dormir?

— Claro que vou.

Sentei na beirada da cama e comecei a fazer carinho em seus cabelos. Lentamente, os olhos dele foram se fechando, a respiração ficando mais tranquila, até que ele adormeceu completamente.

Fiquei ali por alguns segundos, apenas observando. Era impossível não pensar no quanto ele tinha crescido, no quanto ele dependia de mim e no quanto eu precisava ser forte por ele.

Dei um beijo em sua testa com cuidado para não acordá-lo, me levantei e saí do quarto, fechando a porta devagar.

Fui para a cozinha, peguei minha garrafa de vinho barato na geladeira e levei para a sala. Liguei a televisão e abri a N*****x. Sem pensar muito, coloquei meu dorama conforto.

“Meu Demônio Favorito.”

Deixei o episódio rodar, esperando que aquilo me distraísse, me acalmasse… e funcionou. Jeong Gu-Won e Do-Hee me faziam rir e chorar.

Estava rindo de uma cena deles quando, de repente, a imagem daquele homem me veio à mente. Soltei um suspiro pesado e levei o copo aos lábios, tomando um gole mais longo do que o normal.

— Merda! — murmurei sozinha.

Por que ele estava na minha mente? Aquilo não fazia sentido nenhum. Passei a mão pelo rosto, tentando organizar meus pensamentos e, por fim, voltei toda a minha atenção para o dorama.

Continuei assistindo, entrando de novo na história, me perdendo nos diálogos, nas cenas exageradas e nos olhares intensos que só dorama sabe entregar.

Soltei uma risada baixa quando Gu-Won fez mais uma de suas provocações e balancei a cabeça, negando com um sorriso.

— Queria que um demônio desses batesse na minha porta — murmurei, rindo dos meus próprios pensamentos e imaginando qual seria a minha reação caso isso acontecesse de verdade.

Mês passado assisti “Desgraça ao Seu Dispor” e tive o mesmo pensamento, querendo que uma desgraça daquelas aparecesse na minha vida. Acho que estou assistindo doramas demais… isso está me deixando meio doida.

Voltei a rir de mim mesma.

Peguei a taça novamente e girei o líquido escuro dentro dela, observando por alguns segundos antes de levar à boca. O gosto barato já era familiar, quase reconfortante. Acho que, se um dia eu bebesse algo refinado, meu organismo rejeitaria… já está acostumado com coisas simples.

Encostei a cabeça no sofá, deixando o corpo afundar um pouco mais, ainda me divertindo com a cena do dorama.

Assisti uns seis episódios, bebi metade da garrafa de vinho e, por fim, decidi ir dormir, pois já estava tarde e, no dia seguinte, eu precisava acordar cedo.

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