Líria não deveria ter saído.
O pensamento veio tarde demais — não como aviso, mas como constatação.
O ar da floresta estava diferente naquela noite. Não hostil de imediato, não violento. Apenas… atento. Como se cada tronco, cada raiz exposta, cada sombra entre as árvores estivesse inclinada em sua direção, esperando.
Ela sentiu isso no instante em que cruzou o limite invisível da casa do alfa.
Não houve dor.
Não houve repulsão.
Houve silêncio.
Um silêncio espesso demais para ser natural.
A lua errada iluminava o caminho estreito entre as árvores, derramando um brilho pálido sobre o chão úmido. O cheiro da mata estava mais forte ali — terra revolvida, folhas esmagadas, algo metálico que fazia o estômago se revirar.
— Eu preciso de só um pouco — murmurou para si mesma, ofegante. — Só um pouco ar.
Ela não sabia o que a chamara.
Sabia apenas que algo havia a chamado.
Não foi um som.
Tampouco uma voz.
Foi sensação.
A mesma que a guiara até a floresta pela primeira vez, meses