A lua ainda estava errada.
Não havia outro termo.
Ela pairava sobre a floresta como algo deslocado do próprio céu — grande demais, branca demais, viva demais para uma noite que não deveria comportá-la. Não era lua cheia. Não ainda. Mas brilhava com uma intensidade que fazia a pele arder, como se estivesse perto demais da terra.
Kael sentia isso nos ossos.
Desde o instante em que cruzara os limites invisíveis impostos pelo Conselho, algo dentro dele permanecia em alerta constante, um rosnado baixo que nunca cessava. A contenção havia sido quebrada — não por permissão, mas por custo — e o preço ainda reverberava em seu corpo.
Cada respiração parecia exigir mais dele do que deveria.
Cada batida do coração vinha pesada, como se tivesse sido forçada a continuar.
Mas ele não se arrependia.
Não quando Líria respirava.
Ela estava deitada na cama estreita da casa da anciã, envolta em peles grossas que não conseguiam esconder por completo a fragilidade humana de seu corpo. O cheiro de