O sábado amanheceu com um sol tímido, filtrado pelas nuvens que rondavam Lisboa como véus antigos. Helena acordou devagar, envolta em um tipo de calma que não sabia nomear. Não era exatamente leveza — era mais como um espaço recém-limpado dentro do peito. Um espaço ainda em branco, mas que deixava entrar ar.
Na cozinha, a mãe já preparava o café. O som da chaleira apitando misturava-se ao cheiro do pão fresco e ao ruído suave da colher girando dentro da caneca de leite.
— Dormiste bem? — pergun