O quarto do hotel era silencioso demais.
O tipo de silêncio que parecia amplificar os ruídos de dentro: o zumbido da ansiedade, o tropeço dos pensamentos, o som abafado do que não se diz.
Helena sentou-se na escrivaninha, a luz do abajur projetando sombras suaves sobre o papel ainda em branco. O caderno fora comprado naquela manhã, em uma papelaria perto do Duomo. Não porque precisasse dele. Mas porque, de alguma forma estranha, achava que só conseguiria organizar o caos se colocasse as palavra