A sexta-feira amanheceu sem promessas.
O céu nublado refletia com exatidão o que se passava dentro de Helena, e o asfalto úmido parecia mais acolhedor do que qualquer palavra não dita na noite anterior. O flat ainda carregava o cheiro do silêncio, e ela saiu cedo, como sempre, na tentativa inútil de fugir de si mesma.
O porteiro do prédio da Valente abriu a porta com a costumeira cordialidade.
— Bom dia, senhorita Costa.
— Bom dia — respondeu, com um aceno breve, sem parar.
O elevador estava va