— Eu não sou ele. Eu não sou o Gregor. — As palavras dele vieram ásperas, perigosas. — Mas também não sou o que você acha que é seguro.
A respiração dele roçou minha boca. O ar que eu puxava vinha dele.
— Eu não vim te salvar, Rosa. — O timbre dele baixou, e a promessa veio crua, quase carnal. — Eu vim te tirar daqui. E, quando eu fizer isso, ninguém mais vai tocar em você. Ninguém.
O som daquelas palavras me atravessou. Era proteção, era ameaça. E o mais terrível de tudo é que, por um instante, eu quis acreditar.
— Por que eu acreditaria em você? — minha voz falhou, e o que deveria soar como desafio saiu quase como súplica.
Ele inclinou a cabeça, os olhos fixos em mim, intensos, frios, mas havia algo ali, um brilho que queimava mais do que o medo.
— Você não precisa acreditar em mim — murmurou, aproximando-se devagar. — Mas o seu corpo acredita. O seu coração acredita. Eles já me disseram o que você ainda tenta negar.
— Eu… eu não sinto nada — menti, com a respiração entrecor