A primeira vez que Iris Andreadis-Miller viu o norte, o céu parecia feito de aço.
Nuvens densas, vento cortante, e uma luz que só existia para quem sabia observá-la.
Ela sorriu, ajeitando a câmera no pescoço.
- É perfeito, - sussurrou para si mesma.
Aos 28 anos, Iris já tinha fotografado desertos, guerras e casamentos reais.
Mas era na solidão que ela se encontrava.
Metade grega, metade inglesa, ela carregava nas veias o fogo e o equilíbrio - e, como a mãe, acreditava que o amor podia ser tanto uma bênção quanto um vendaval.
Seu projeto atual chamava-se "Luz nas Tempestades" - uma série fotográfica sobre como as pessoas sobrevivem ao frio, à perda, e à saudade.
Foi esse projeto que a levou até Reykjavík, Islândia, no inverno mais rigoroso dos últimos dez anos.
O estúdio improvisado era uma antiga casa de pescadores, transformada em galeria.
Iris passava os dias fotografando o mar congelado e as noites revelando imagens na penumbra.
A solidão não a assustava - até o dia em que ele apar