A casa branca no alto das falésias de Santorini amanhecia envolta em luz dourada.
As janelas abertas deixavam entrar o cheiro do mar e o som das ondas batendo nas rochas.
No ateliĂȘ, pincĂ©is, cĂąmeras e pedras vulcĂąnicas se misturavam sobre a mesa â um retrato perfeito da vida que Freya JĂłnsson-Andreadis e Leo Karalis haviam construĂdo.
O amor deles nĂŁo era mais uma explosĂŁo.
Era um fogo constante, firme, que aquecia sem destruir.
E naquela manhĂŁ, esse fogo estava prestes a se transformar em algo maior.
Freya segurava o pequeno exame nas mĂŁos, o sorriso trĂȘmulo, o coração acelerado.
Leo, ao entrar no quarto, percebeu imediatamente.
â Aconteceu alguma coisa?
Ela levantou o olhar, as lĂĄgrimas brilhando.
â Sim⊠estamos esperando um filho.
O silĂȘncio que se seguiu foi quase sagrado.
Leo se aproximou devagar, como quem teme acordar de um sonho.
Depois, sorriu â um sorriso cheio de surpresa, medo e ternura.
â Um filhoâŠ
â Ou uma filha, â ela completou. â De qualquer forma, serĂĄ uma chama nossa