O vento soprava salgado e quente em Creta naquela manhĂŁ.
Freya acordou com o som das ondas batendo nas rochas e o cheiro de café recém-feito.
Leo estava na varanda, de costas, o sol dourando-lhe a pele bronzeada.
Ela o observou em silĂȘncio â o homem que tentara fugir do amor e acabara se rendendo a ele.
Aquele que dizia ser feito de fogo, mas que agora aquecia em vez de queimar.
â EstĂĄ acordada, â ele disse sem virar o rosto.
â HĂĄ muito tempo. Tentando acreditar que vocĂȘ Ă© real.
Ele riu baixinho.
â A luz do mar faz isso. Faz a gente acreditar no impossĂvel.
â NĂŁo. VocĂȘ faz isso.
Ele se virou, e o sorriso dele era um nascer do sol.
---
Durante semanas, viveram entre o mar e o fogo.
Ela fotografava crateras, ele estudava rochas.
Mas, no fundo, estudavam um ao outro â suas falhas, seus medos, suas formas de amar.
Freya descobriu que Leo tinha uma cicatriz no ombro, resultado de um acidente em uma expedição anterior.
Ele quase perdera um colega, e desde entĂŁo, carregava a culpa como se fo