Dois anos haviam se passado desde a exposição em Paris.
Dois anos desde a carta.
Dois anos desde o último “clique” que guardava o rosto dele.
Agora, Iris era uma artista reconhecida, requisitada por museus e revistas, mas o sucesso soava vazio.
Cada flash lembrava o silêncio do norte.
Cada elogio soava como vento frio, sem eco.
Ela morava em Atenas, num apartamento com vista para o mar.
Mas mesmo ali, o horizonte parecia distante.
Até o dia em que recebeu o convite.
> “Residência Artística Internacional — Reykjavík Museum of Modern Art.”
Era irônico.
O mesmo país onde ela perdera o coração agora a chamava de volta — com honras, patrocínio e promessas de glória.
Zoe, ao saber, apenas disse:
— O destino não é um círculo, filha. É uma espiral. Sempre te leva de volta — mas nunca ao mesmo ponto.
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A Islândia a recebeu com o mesmo vento cortante e o mesmo céu cinza.
Mas algo nela havia mudado — uma serenidade nova, um silêncio maduro.
Ela não era mais a garota que fugia