đâš CapĂtulo 10 - A Promessa das MarĂ©s (Parte I: Helena e o Filho do SilĂȘncio)
O amanhecer em Santorini tinha um som diferente para Helena Karalis-Andreadis.
Ela costumava dizer que o mar falava â nĂŁo com palavras, mas com ritmos.
Enquanto o mundo despertava, ela caminhava descalça pela areia fria, o vento trazendo o cheiro de sal e pedra vulcùnica.
Tinha vinte e trĂȘs anos e o mesmo olhar azul-acinzentado que havia encantado o pai desde o dia em que nascera.
Filha de uma fotĂłgrafa e de um geĂłlogo, crescera entre cĂąmeras, fĂłsseis e livros de poesia.
Mas o que realmente a definia era a sua escuta.
Helena ouvia o que os outros nĂŁo percebiam â o som das marĂ©s, o pulsar das rochas, o silĂȘncio entre as notas de uma canção.
Desde pequena sofria de uma perda auditiva parcial no ouvido esquerdo, consequĂȘncia de um parto difĂcil durante uma tempestade.
Por isso, aprendeu a traduzir o mundo de outro modo: através das vibraçÔes, da luz e das emoçÔes.
Quando todos viam ruĂdo, ela via harmonia.
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Depois de estudar arte sonora em Paris, Helena voltou à Grécia para montar um