A lâmina desliza um pouco mais e um fio de sangue escorre pelo pescoço de Henrique, tingindo a gola da camisa. Ele engole em seco. A pose de homem sereno já não cabe tão bem no rosto dele.
— Por favor, esclareça o crime que estou sendo acusado — ele força um tom neutro — porque, honestamente, não faço ideia do que você está falando.
Eu rio. Um som áspero, sem humor.
— Duas palavras — digo, cuspindo cada sílaba como se fossem veneno. — Injeção contraceptiva.
Vejo o impacto imediato no olhar dele. Uma fagulha de reconhecimento. Não é surpresa total. É algo entre irritação e cálculo.
— P***, Rosália… — ele murmura, mais para si mesmo do que para mim. O maxilar se contrai. — Tudo o que ela te contou é mentira.
— Não brinca comigo, seu pedaço de m*** — minha voz sai baixa, porém carregada de perigo. A lâmina corta a pele um pouco mais, o sangue agora quente nos meus dedos. — Acabei de vir da casa de D’Lucca. Ele sumiu. A empregada dele está morta, estrangulada e escondida debaixo de um sof