Abra a p da porta, D’Lucca!**
Meu punho martela a madeira grossa pela enésima vez, e o impacto faz a moldura tremer, como se a casa inteira soubesse que eu estou aqui. O som ecoa na rua silenciosa, misturado com minha respiração pesada e com a raiva que pulsa tão forte dentro de mim que parece outra pessoa ocupando o meu corpo.
— Você não pode se esconder a noite toda — rosno, mais para mim mesmo do que para ele.
O céu ainda é um breu profundo, o tipo de madrugada em que até os ratos evitam sair. Já passa das quatro da manhã, mas eu sei que aquele filho da p*** está por perto. Eu consigo sentir. Ele pode estar calado, pode estar apagando todas as luzes, fingindo que essa casa está vazia, mas eu conheço o tipo. Covarde, ganancioso, acostumado a se esconder atrás de paredes, contratos e outros homens.
Ele só não está acostumado a alguém como eu batendo à sua porta.
— Quer que eu abra, senhor? — a voz de Francisco soa ao meu lado, firme, quase impassível, como se estivesse me oferecendo