— Onde está Olga?
A pergunta saiu de mim como um disparo, cortando o silêncio sufocante da cozinha.
Ana se sobressaltou tanto que quase deixou cair a bandeja nas mãos. O rosto dela perdeu a cor por um instante, como se ela estivesse vendo uma aparição — e, de certo modo, eu sabia que era exatamente assim que eu parecia.
Eu não estava apresentável.
Eu não estava calmo.
Eu não estava amigável.
E isso não importava nem um pouco.
Ana engoliu seco antes de responder, tentando manter a postura apesar do medo evidente que escureceu seus olhos.
— Ela ainda não voltou para casa, senhor. Disse, com uma calma treinada. Deseja que eu a avise quando ela chegar?
— Sim.
Ela hesitou. Só um segundo.
Mas eu percebi.
Ela queria dizer algo.
— O que foi, Ana? Perguntei, impaciente.
— O senhor vai… ficar acordado? Ela perguntou, com uma suavidade que me desconcertou.
Como alguém tão velha, tão frágil, tão humana podia olhar para mim, no meu estado, com essa escuridão queimando em mim e ainda encontrar esp