Capítulo 240

O sorriso desaparece do rosto dele. No lugar, surge um brilho cru de raiva, algo que pulsa nos olhos como um último reflexo de tudo o que ele sempre foi.

Eu continuo falando, mantendo a voz firme, sem elevar o tom, porque não preciso gritar para que ele me ouça.

Digo que nossas vidas seguirão em frente. Que criaremos nossos filhos. Que prosperaremos na ausência dele. Que a família dele será a minha família. Que sua irmã é minha esposa. Que seu pai é meu pai. Que os dias sombrios que ele criou ficarão muito para trás de nós. Que quando nos reunirmos em cada feriado não haverá um lugar vazio à mesa. Será como se ele nunca tivesse existido. Que sua memória será apagada, esquecida. E talvez esse seja o maior presente que ele nos deixa. Uma apatia tão pura que já não somos capazes de sentir ódio por ele. Nem tristeza. Nem perda. Não há nada. Sempre haverá nada quando se trata dele.

Henrique reage com um rosnado baixo, carregado de desprezo. Diz que eu não sou a família deles. Diz que nunca
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