Mundo de ficçãoIniciar sessãoApós viver a perda trágica do marido, Samantha mergulha em anos de luto e dor até encontrar forças para recomeçar. Quando finalmente aprende a amar novamente e se prepara para um novo casamento, o destino intervém de forma cruel: um grave acidente às vésperas da cerimônia a deixa em coma e apaga parte de suas memórias. Ao despertar, Samantha se lembra de tudo até o maior trauma de sua vida — a morte do primeiro marido —, mas não guarda nenhuma lembrança do homem que lhe devolveu o amor e a esperança. O passado recente simplesmente desapareceu. Três anos depois, o acaso os coloca frente a frente novamente. Sem reconhecer o homem que um dia amou, Samantha sente o coração disparar e uma emoção intensa, profunda e inexplicável tomar conta de si — algo que ela não sabe nomear, mas que insiste em permanecer. Entre memórias perdidas, sentimentos que resistem ao tempo e um amor que se recusa a ser esquecido, esta é uma história que prova que nem tudo depende da lembrança — porque, às vezes, quando o coração se lembra do que a mente esqueceu, o amor encontra um jeito de voltar.
Ler maisJá não conseguia mais lidar com aquela situação.
Acordei algum tempo depois em uma cama de hospital, com meus familiares ao meu redor. — Samantha, minha filha, graças a Deus você acordou. {Roberta} *** Depois de seis anos de casados, finalmente me sinto pronta para ter nosso primeiro filho. — E você, como se sente, Richard? {Samantha} — Também me sinto pronto… na verdade, mais do que pronto. — Precisamos ir ao médico ou é só começarmos a “trabalhar na produção” do nosso bebê? — kkkkk. {Richard} Ele me abraça com carinho e beija minha têmpora, me puxando para junto do seu corpo de forma provocadora. — Claro, né, seu bobo. — Além de “trabalhar na produção”, é importante irmos ao médico. — Usei anticoncepcional durante sete anos, então precisamos nos informar bem para fazer tudo direitinho. {Samantha} Sempre quis ter filhos, mas como me casei muito cedo, queria curtir melhor o casamento até sentir que era a hora certa. Richard e eu nos conhecemos muito jovens. Eu tinha dezesseis anos e ele dezoito. Ele estava no último ano do colégio para onde eu havia me mudado. Como bons adolescentes, tudo começou com provocações, implicâncias… até se transformar em um amor simples, sincero e urgente. Nos casamos assim que completei dezoito anos. — Amor, preciso ir para o trabalho. — Assim que você marcar a consulta, me avisa que vamos juntos tirar todas as dúvidas possíveis. — Assim, no ano que vem, já teremos nosso bebê nos braços. Ele me beija e me abraça com carinho. — Nossa família vai ser grande, quero pelo menos três filhos, tá? {Richard} — Claro, assim que eu marcar te aviso. — Mas sobre a quantidade… vai depender da primeira experiência. {Samantha} Richard entrou no carro e seguiu direto para o trabalho. Depois de um dia cansativo, ele estava retornando para casa quando um motoqueiro avança o sinal vermelho. Richard tenta desviar, mas perde o controle. O carro invade a contramão e atinge outro veículo de frente. — Alô? {Samantha} — Estou falando com a Samantha? {Terceira pessoa} — Sou eu mesma. — Quem fala? {Samantha} — Sou policial. Sinto lhe informar, mas seu marido sofreu um acidente. — Ele está sendo levado em estado grave para o Hospital Central. — Precisamos que a senhora vá para lá imediatamente. {Terceira pessoa} Meu mundo girou. Eu não conseguia mais respirar. Não pode ser… ele não… {Samantha} Cheguei ao hospital o mais rápido que consegui. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo. Não, por favor, meu Deus. — A senhora é a esposa? {Terceira pessoa} — Sim, doutor, me diga como ele está? {Samantha} — Infelizmente não temos boas notícias. O trauma foi muito grave e não conseguimos conter a hemorragia. Seu marido faleceu. {Terceira pessoa} — Não pode ser… eu preciso ver ele. — Não, isso não está acontecendo, isso não pode estar acontecendo. {Samantha} Comecei a chorar desesperadamente enquanto o médico me levava até ele. Richard já estava sem cor alguma no rosto, parecia uma estátua de cera, completamente sem vida. Meu coração se despedaçou na mesma hora. Eu o abracei enquanto chorava copiosamente. Seu rosto, antes tão lindo, agora estava cheio de machucados. De repente, perdi completamente a consciência — O que aconteceu? — Onde está o Richard? {Samantha} Eu estava confusa, sem saber se tudo o que havia acontecido era sonho ou realidade. Mas quando minha mãe começou a chorar , olhei para o quarto, e vi meu pai e meu irmão, eles estavam completamente abatidos, e não conseguiam nem me encarar, tive certeza. Era real. Meu marido havia morrido. Meu mundo inteiro caiu.Ponto de Vista de André Trinta minutos. Parecia pouco tempo… mas para mim foi uma eternidade. Eu andava de um lado para o outro na sala, olhava para o relógio, voltava para a janela. Meu coração ainda estava acelerado desde o momento em que vi Samantha sair do elevador. Quando finalmente bateram na porta e Vanessa entrou, senti como se conseguisse respirar de verdade pela primeira vez naquele dia. — Quanto tempo não nos víamos, hein? — ela disse sorrindo. — Adorei o cabelo. Combina com você. Instintivamente passei a mão pelos fios. Eles estavam mais compridos agora, quase tocando meus ombros. — Obrigado, Vanessa. Realmente já tinha um tempo… Ela nem me deixou terminar. — Então, me conta… você passou um tempo fora do país, né? Eu balancei a cabeça, impaciente. — Vanessa, me diz o que está acontecendo. A Samantha está aqui. Eu estou explodindo de felicidade, não me entenda mal… mas estou confuso com tudo isso. Me ajuda a entender. Ela respirou fundo e sorriu de l
Ponto de Vista de André Aquele dia começou como qualquer outro. Agenda cheia. Reuniões uma atrás da outra. Decisões importantes esperando por mim. Cheguei cedo, como de costume, e fui direto para minha sala. Depois da reunião das oito, eu sairia para um encontro externo. No caminho para o elevador, estava conversando com Marcos, do financeiro. Ele levantou uma questão delicada: uma possível tentativa de fraude no setor. Decidimos descer no décimo quinto andar, onde ficava o RH, para verificar como proceder. Foi então que eu a vi. De costas. Entregando um documento na recepção. Meu mundo parou. Eu conhecia aqueles cabelos. Conhecia aquele jeito de se movimentar. Conhecia até o modo como ela apoiava o peso do corpo em uma perna só enquanto esperava. Quando percebi, meus pés já se moviam. Olhei discretamente para dentro da sala de espera — e lá estava ela. Samantha. Meu coração deu um salto tão violento que por um segundo achei que fosse desmaiar. O ar ficou pes
Ponto de Vista de Samantha Chegou o dia da entrevista. Eu estava nervosa… mas empolgada. Sentia que algo podia mudar. Como se aquele dia tivesse peso. Quando parei em frente ao prédio do Grupo Atxer, uma sensação estranha me atravessou. Familiaridade. Será que eu já tinha estado ali antes? Balancei a cabeça, me identifiquei na recepção e fui para os elevadores. Enquanto aguardava, notei que do outro lado havia um elevador diferente, com uma placa indicando que era privativo. Dei de ombros e continuei esperando o comum. Subi até o andar da entrevista. Tudo correu melhor do que eu imaginava. Respondi às perguntas com segurança, expliquei sobre a perda de memória, mantive a postura firme. Depois, fui encaminhada ao RH para a etapa psicológica. Quando o elevador se abriu naquele andar, vi um homem alto, de costas, conversando com alguém na recepção. Passei por ele… e então senti. O perfume. Meu passo diminuiu sem que eu percebesse. Era um cheiro absurdamente familiar
Ponto de Vista de Vanessa Já fazia quatro meses que a Samantha estava morando comigo em Sao Paulo. No começo, eu tinha certeza de que ela acabaria encontrando o André “por acaso”. Nas primeiras semanas ela seguiu os instintos, andou pela cidade, revisitava lugares sem perceber. Eu achava que era questão de tempo. Mas depois que começou a trabalhar, tudo mudou. Virou casa e trabalho. Trabalho e casa. Desse jeito… ela nunca iria encontrá-lo. E foi pensando nisso que me lembrei de como tinha sido da primeira vez. Samantha viu um anúncio de vaga no Grupo Atxer. Foi assim que tudo começou. Era isso. Era assim que o destino tinha funcionado antes. Abri o tablet e fui direto para as vagas de emprego. Para minha sorte, havia várias oportunidades no Grupo Atxer — embora muitas não fossem na sede principal. Continuei procurando até encontrar a vaga perfeita: Assistente administrativo. Sorri sozinha. Perfeito. — Amiga, bom dia. Está tudo bem? Eu precisava preparar o t
Ponto de Vista de André Desde que levaram a Samantha embora para Belo Horizonte, eu passei a viver entre idas e vindas. Ficava uma semana lá, outra em São Paulo. Fiz isso por quase seis meses. Eu só queria vê-la. Mesmo que fosse de longe. Assistia às sessões de fisioterapia discretamente, observava quando ela caminhava pelo parque ecológico, quando ia ao shopping, quando entrava em alguma cafeteria. Onde quer que ela estivesse, eu estava por perto. Vê-la seguir em frente me trazia felicidade… e frustração. Eu queria que ela estivesse bem — mas queria que estivesse ao meu lado. Um dia, enquanto eu a observava sair do trabalho, vi quando ela atravessou a rua com um rapaz. Os dois seguiram em direção ao restaurante da esquina. Não havia nada explícito entre eles. Nenhum gesto íntimo. Nada que confirmasse qualquer coisa. Mas foi suficiente. Senti aquele velho buraco no peito se abrir de novo, sangrando ainda mais forte. Uma dor surda atravessou meu corpo inteiro. Eu semp
Ponto de Vista de Samantha Dois dias depois do casamento, arrumei minhas coisas e estava pronta para voltar para São Paulo. Quando contei à minha família que iria com a Vanessa, meu pai surtou. Ele se recusou a me deixar ir de todas as formas possíveis. Disse que aquele lugar poderia desencadear os problemas que me deixaram em coma, que ele não suportaria me ver daquele jeito de novo. Mas eu não podia viver presa. Eles não me contavam a verdade e, ao mesmo tempo, não queriam me deixar viver. — Eu não posso saber o que aconteceu comigo? Não posso voltar para São Paulo? Não posso trocar de emprego? Quando é que você vai me deixar trilhar meu próprio caminho? Minha voz tremia, mas eu continuei. — Eu sei que vocês passaram por um momento difícil quando eu estava em coma. Eu sei. Mas não posso ficar escondida aqui para sempre. Eu sinto que devo ir… e não gostaria de fazer isso brigada com você, pai. Por favor, confia que tudo vai dar certo? Ele estava relutante. Muito. Mas










Último capítulo