Mundo de ficçãoIniciar sessãoCresci em um orfanato em Nova York, onde a vida era dura e a sobrevivência era o único objetivo. Mas tudo mudou quando fui forçada a ir para a Itália para terminar meus estudos e me casar com um homem que não conhecia. No entanto, o que eu não sabia era que o meu futuro marido tinha um irmão, e que juntos mudariam minha vida para sempre, de maneiras que eu nunca poderia imaginar. Fugir não era uma opção, pois já havia tentado várias vezes quando no orfanato e sempre fui encontrada. O que será da minha vida é uma incógnita indecifrável que terei que moldar sozinha, e como sempre, sozinha. Cresci solitária e terei que resolver sozinha, assim como cresci. Meu nome é Haley, tenho 18 anos e assim que chegar aos 19, irei para a Itália terminar meus estudos e, logo em seguida, me casar com um desconhecido.
Ler maisPOV: Carina
As garras dele traçam meu queixo sem rasgar a pele, Charles repete o movimento e para na parte do meio da garganta, então a ponta do dedo sobe, forçando meu queixo para cima.
Encontro seus olhos no mesmo tom violeta que os meus, o que é estranho, me lembro deles vermelhos.
Todos os alfas tem olhos vermelhos.
—Lembra da última lição?—
Nego, e ele sorri, posso ver as presas brancas brilhando, e então a mão se fecha em minha garganta antes de me puxar para sentar em seu colo.
Minhas costas estão pressionadas em seu peito, e ele aperta meu pescoço até interromper o fluxo de ar. Só para quando abro os olhos, encarando nossa imagem refletida no espelho.
—Nunca desvie o olhar, nós gostamos que mantenham os olhos fixos em nós quando transformamos coisinhas lindas como você numa bagunça.—
Obedeço assim que vejo para onde ele está olhando, o chicote com nós posicionado em cima da mesa. A mão dele desce pelo meu ventre ainda coberto pela chemise e um bolo se forma em meu estômago, quero vomitar.
—Abra as pernas. Você não vai ser lembrar, nunca se lembra, mas seu corpo sim. Não vai doer tanto se você parar de resistir, Carina. Por que torna as coisas mais difíceis?—
Eu não obedeço, por mais que algo em minha memória diga para não piorar as coisas e ser boa. Se eu for boa vai acabar depressa, acho. Ele afasta uma mecha do meu cabelo que cobre a lateral do meu pescoço, o polegar faz pequenos círculos ali, numa pequena veia onde ele consegue sentir minha pulsação.
—Linda.—
Sinto a língua rastejar naquele ponto, e a mão dele desce até o meio das minhas pernas e se fecha ali.
O enjoo vence e eu me curvo para frente, vomitando nos lençóis.
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A torre está mais silenciosa do que o normal.
Encaro minha cama e tenho a impressão de que algo está errado. Não me recordo de ter mudado as cobertas.
Minhas costas e garganta doem um pouco, também há um desconforto esquisito entre minhas pernas que Mira falou para ignorar.
Nunca toco harpa quando meus pais ou irmão vem visitar, os primeiros estão aqui desde a aurora.
Mesmo sem visitas seria difícil fazer isso agora, meus pulsos doem onde as marcas de restrições estão por sumir, embora eu não me lembre de ter sido castigada recentemente.
Com o passar dos anos minha memória tem se tornado tão ruim.
O corvo só chega ao entardecer, e com ele meu último fio de esperança de que tudo desse errado.
Há um breve momento caloroso quando mamãe vem até mim e me dá um doce, um pote de violetas cristalizadas, ela sempre trás na noite do meu nascimento, são meus favoritos.
Observo da janela o corvo pousar no parapeito.
Meu coração acelera.
Há duas possibilidades.
A primeira: O plano dos meus pais deu certo e a rainha está morta.
A segunda: O plano dos meus pais falhou, e foi tudo um engano.
Minha mãe, Mira, ainda está ao meu lado com uma expressão ansiosa gravada no rosto. Ela segura meu braço com uma força que não condiz com sua aparência delicada, que constantemente usa em combate para enganar seus opositores pelo que observo da janela.
Nós nos parecemos tanto, talvez por isso eu deteste encarar o espelho. Os mesmos olhos violeta, os mesmos cabelos escuros.
Crator, meu pai, caminha depressa em direção ao corvo, arrancando a carta enrolada na pata da ave.
Para nosso desespero ele lê em silêncio.
Os segundos se arrastam enquanto nós duas esperamos a resposta, embora estivéssemos torcendo por resultados diferentes.
Ele termina a leitura, ergue os olhos e um sorriso se espalha pelo seu rosto. O brilho rubro nos seus olhos confirma o que tanto esperávamos.
Minhas pernas tremem, quero chorar, mas impeço as lágrimas queimando de cairem.
—O rei está devastado,— diz ele, sua voz grave ecoa pelo quarto.—A rainha está morta. Nosso plano funcionou.—
Odeio quando ele fala ‘nosso’, como se alguma vez tivesse escolha.
Sinto uma onda de emoções me invadir: pavor, asco, vergonha.
Este é apenas o começo
Papai nunca esteve satisfeito em ser o alfa da Cidade-Estado Celestial Spire, ele queria o trono da capital do reino e ter as outras dez famílias se ajoelhando diante de nós.
O nosso alfa supremo depois da unificação dividiu o território entre as dez matilhas, com a sua, onze. Cedeu o título de governador para o alfa de cada uma das cidades-estado com a condição de que todos se submeteriam a ele.
Papai permitiu ser ferido em combate para evitar refazer o juramento anual no último solstício.
Agora, eles querem acabar com os cinquenta anos de paz porque não estão satisfeitos.
Minha mãe solta meu braço e se aproxima de papai Crator, seus olhos brilham com uma determinação feroz.
—E agora?— pergunto, minha voz soa mais firme do que eu esperava.
"Agora, enviamos você para a capital, não imediatamente, ou ficaria óbvio, o que é bom, pois precisamos de tempo para prepará-la, teremos mais aulas para que aprenda a manter a atenção do alfa em você. De preferência depois que outras famílias também tiverem enviado suas filhas." Ela tem tanta certeza de que meu rosto bonito e educação regrada são suficientes para encantar qualquer um, o que é engraçado, pois não recebo visitas, nem socializo com outras pessoas. Como eles esperam que eu seduza um homem experiente assim?
Minha cabeça doi quando ela fala em aulas, e uma sensação de enjoo embrulha meu estômago.
—O rei estará vulnerável. Este é o momento perfeito, faça como ensinei.—
Uma estação atrás minha prima sonhou com uma serpente picando a nossa rainha durante o festival anual para a pacificação, uma serpente com a cor roxa e prata, as mesmas cores do brasão da matilha Raven's Nest.
Até onde todos sabiam, a melhor amiga e dama de companhia da rainha era Ellara Ravenwood.
—A profecia que Luna nos enviou... nunca chegará aos ouvidos do rei.— Crator adiciona, sua expressão se torna sombria ao relembrar o dia do assassinato da minha prima.
Mamãe não tem mais visões, ela dizia que desde o meu nascimento elas pararam, e por vezes me perguntava se era a razão de me manter presa durante todo esse tempo.
Agora, tenho quase certeza de que Luna não fala através dela por ser má.
Os dois viram minha prima crescer, comiam na mesma mesa que os pais dela, mas mamãe não hesitou em arrancar o coração da garota com as garras.
—Foi um sacrifício necessário para nosso sucesso.—
Eu dou um passo para trás, como se o ato fosse suficiente para me fazer fugir das responsabilidades. Minha vida inteira me preparou para este momento, eu deveria estar pronta, mas a única coisa que sinto agora é vontade de correr.
—Não quero fazer parte disso.— afirmo, olhando diretamente para meu pai. A semelhança dele conosco é assustadora, a razão não é nenhum mistério, papai e mamãe são primos, embora distantes.
Crator coloca a mão pesada no meu ombro e por um segundo tenho esperança de que ele irá me consolar, mas um tapa seco atinge meu rosto e parte meu lábio.
O gosto de sangue invade minha boca e a dor suprime o enjoo, o que em si é bom.
—Levar o nome dos Starbane ao coração do poder é sua única missão. Engravide e a capital será sua, e com isso, o reino será nosso. Ou prefere apodrecer atrás das paredes dessa muralha ouvindo sussurros do céu?—
Cerro os punhos com tanta força que minhas unhas ferem a palma da minha mão.
O corvo que trouxe a mensagem salta do parapeito e desaparece pela janela aberta. Sinto inveja da ave, e de um jeito estranho me vejo nela, como se estivesse voando rumo ao meu abatedouro.
Talvez seja um sinal.
A rainha era boa.
O rei era bom, acho.
Não mereciam nada disso, então qual a razão?
Luna não deveria iluminar os justos e usar seus servos para dilacerar os de coração podre?
—Prefiro apodrecer atrás desses muros. Gosto daqui.—
Minto.
Odeio os vestidos bonitos, a cama com dossel, os lençóis de seda, as joias desenhadas só para mim, e que ninguém vê.
Nunca saí do palacete.
Eles riam contando como os moradores de Celestial Spire sussurram que meus pais me amam demais, então querem me manter protegida.
Também nunca tive uma dama de companhia sequer, e isso também foi atribuído ao zelo dos dois.
Como ômega, me sentia inclinada a obedecê-los, mas conforme crescia, foi difícil lutar contra a voz dizendo que eles estavam errados, e tudo o que faziam era ruim.
Se eu morrer aqui dentro não haverá uma única alma para chorar minha morte, em contrapartida, hoje o reino inteiro chora a perda da rainha.
O festival foi quinze dias atrás, então a notícia demorou para chegar.
Lutou pela vida? Sofreu?
—Ela tem dezoito anos e ainda não mudou. Como vamos enviá-la para o palácio sem ter certeza?—
Mamãe me ignora e papai a segue.
Os dois não conseguem aceitar que talvez Luna nunca me conceda a sua dádiva e eu acabe me tornando o que os dois consideram insignificante, sangue fraco.
Se eu realmente fosse uma ômega e sangue fraco seria um golpe no orgulho dos dois.
Pensar na possibilidade me assusta e diverte.
Os dois têm certeza que vou obedecer, eu sempre obedeço.
Ela caminha até o armário e apanha uma corda grossa, há pequenos ganchos de prata em toda a sua extensão.
A realização me atinge com a força de um soco.
Até uma idiota reclusa como eu conhece os rumores, há muitos livros sobre, e minha torre está cheia deles.
—O Rito do Despertar Prateado é uma lenda, não funciona. Não serei útil morta.—
Eles querem forçar minha primeira mudança usando um ritual bárbaro de histórias para assustar crianças.
Meu coração afunda e recuo até minhas costas baterem na parede, mais especificamente na janela aberta da torre, a mesma por onde o corvo entrou e foi embora.
—Você já não é útil para nós assim, e é sua escolha, filhinha. Acabou de dizer que prefere morrer atrás dessas paredes em vez de colaborar. Sorria, as suas preces foram atendidas. —
Tento mexer meu corpo e tudo em mim dói. Abro os olhos e olho para meu lado direito , vejo um homem, olho para o outro e também tem um. Flashback da noite anterior passa em minha mente. Aperto meus olhos sentindo a vergonha me dominar. Tento me levantar e acabo soltando um gemido de dor. _ Vai ter que tomar um analgésico e ficar um pouco na cama ratinha._ Lorenzo levanta e veste a cueca. Vem até mim, dá um selinho e vai para o banheiro. _ Deita aí Haley, ainda estou com sono._Ele me puxa para perto. Continuo estátua, sem dizer uma palavra. _ Levanta logo Matteo, temos compromisso. Vou pedir pra Candace trazer um remédio pra você. _ Não! Que vergonha Lorenzo._ levanto-ne fazendo careta de dor. Cato minhas roupas e vou para o banheiro do Matteo. Jogo uma água no corpo e vou para pegar a toalha, olho-me no espelho e.... _ PORRA! QUE MERDA É ESSA?_ Lorenzo abre a porta e olha ao redor ,menos para mim. _ Olha pra mim Lorenzo, vocês me deixaram toda marcada caralho._Observ
Estou muito nervosa, pegando fogo na verdade. Entro no banheiro e deixo a água cair sobre meu corpo, fecho meus olhos, sentindo a água descer sobre meu rosto. Termino o banho e passo o óleo corporal, deixo secar naturalmente como sempre.Visto uma calcinha normal, branca, e um vestido da mesma cor. Sento-me na cama, sentindo cada parte do meu corpo quente ao imaginar como foi bom apenas com Lorenzo, imagina como será com Lorenzo e Matteo_ Ai, e se eu não aguentar?_Pergunto-me baixinho.Dois toques na porta, logo ela é aberta._Não vai ir? Meu irmão vai ficar bravo com você e, vai descontar tudo em sua bucetinha gostosa._ Não consigo agir, apenas continuo olhando para ele._ Eu..._ Antes que eu termine de falar, Lorenzo beija minha boca com força. Coloca a mão por debaixo do meu vestido e, toca minha intimidade. Arqueio minhas costas, quando sinto um dedo entrar em minha vagina._ Tão quente, tão preparada, tão gostosa. Vou te preparar para um coisa, é melhor você começar agora que
_ Mais minha do que dele. Agora preciso ir, tem alguém subindo._ Seguro em seu braço._ Lorenzo, terei que fazer sexo com o Matteo?_ Ele me olha com a sobrancelha arqueada._ Provavelmente sim! Meu irmão nunca deixaria passar essa oportunidade. _ Estou com medo_ Abaixo a cabeça puxando a pele do dedo._ Vou ver o que posso fazer, ele me deve uma, então vou tentar algo. Só não sei se ele vai aceitar._ Aceno e ele vai saindo._ Haley, não faz isso com o dedo._ Ele se vai e eu olho para o dedo que estava beliscando.O pessoal chega e começa a me arrumar, faz tudo o que poderiam fazer. Colocaram-me em um vestido longo de seda vermelho sangue, fizeram um penteado com pequenas mechas do meu cabelo caindo ao lado do meu rosto. Em meu rosto uma maquiagem bem feita, com um batom vinho. Jogaram-me perfume e colocaram um salto baixo em meus pés._ uau, que diva! Olha, deixaremos esses produtos pra você tá, faça bom uso._ Obrigada!_ Todos me elogiam e sai. Candace entra com uma cara de admiraçã
Dormir, acordar, conversar com Candace, ouvir as provocações de Lorenzo e quase não ver o Matteo, foi como passou o resto da semana.As aulas na faculdade ainda não começaram, então não tenho nada pra fazer a não ser ficar feito um zumbi, do quarto pra sala, da sala para o quarto. Durmo, como, assisto Tv e não faço mais nada.Hoje é sábado e o movimento na casa está estranho. Candace ainda não deu as caras e nem Lorenzo e, isso está me deixando maluca, pois hoje é o dia em que me tornarei noiva do Matteo. Com ele está tudo ótimo,já que quase não o vejo.Vejo Candace entrar acompanhada de várias pessoas._ Então, essa aqui é a senhorita Haley. Ela é quem vocês vão produzir para se tornar a futura senhora Capone._ As pessoas me olham e começam a me medir e mexer em meu cabelo.Não me opus e nem disse nada, apenas fiquei como se fosse uma boneca esperando eles terminarem._Tenho a roupa perfeita._ A moça bem vestida e de corpo escultural disse._ Já sei qual penteado irei fazer._ O jove
Lá fora chove e o frio invade a janela, fazendo-me encolher de frio. Desço a escada que se parece mais um lustre, totalmente limpa e reluzente. Avisto umas pessoas conversando na sala e, assim que chego, eles param para me olhar. Sinto-me como um peixe fora d'água, na verdade sou, pois não pertenço a este lugar e muito menos a essas pessoas._ Você não tomou banho ainda?_ O Lorenzo pergunta descaradamente com um sorriso no canto dos lábios._ Sim!_digo cabisbaixa, olhando a barra do meu vestido._ Então, porque é a mesma roupa?_ Mais uma vez ele pergunta._ Calado, Lorenzo! Chega de tanto interrogatório._ Olho para a porta quando um homem alto, branco, cabelos ruivos em um tom amarelado e barba por fazer entra. Ele tem todas as características de um personagem de um livro que li um vez. Ele usa um terno na cor azul quase jeans._ Olá! É um prazer conhecê-la, provavelmente você é minha futura noiva._ Ele arruma o terno e continua com sua postura dura._ Nossa, Matteo, você está sendo
Acordo sendo praticamente espancada por um dos brutamontes. Abro meus olhos e sigo atrás deles.Sigo para onde eles estavam indo, um carro preto muito bonito nos espera. Um homem com uma placa com o nome Capone. Entramos e seguimos o nosso destino, que provavelmente seria a faculdade.Ao chegar em frente a um prédio com três andares, os brutamontes descem e abrem a porta do carro._Vamos, desçam!Espero as meninas descerem e me preparo para fazer o mesmo._ Você não, seu destino é outro.Olho das meninas para eles, sem entender._ Como?Ele fecha a porta, deixando-me confusa e com medo._Não vão me responder? Eu preciso saber! Quero ir pra universidade, onde eu vou ficar.Eles me ignoram com sucesso. Sinto um ódio tão grande de ser ignorada. Observo tudo ao meu lado, passo a mão na trava da porta, para tentar escapar. Advinha? Ela está destravada. Quando param no sinal vermelho, olho para trás e tem um carro na frente do outro carro que estavam os seguranças. Abro a porta de uma ve
Último capítulo