Narrado por Rosália
TRÊS MESES DEPOIS
É um dia claro de inverno. O céu está limpo, azul pálido, e o frio é suave, mais simbólico do que incômodo. Abotoo a jaqueta de Rayane com cuidado, certificando-me de que esteja bem protegida, antes de erguê-la do banco traseiro do carro. Ela emite um som baixo, quase um resmungo satisfeito, e isso me arranca um sorriso automático.
Atrás de mim, Luciano murmura uma maldição abafada. Viro-me para encontrá-lo lutando com o carrinho enquanto tenta desdobrá-lo, a testa franzida em concentração.
Ele balança a estrutura uma vez, duas, até finalmente conseguir. Passa as mãos pela superfície plana, ajeitando os cobertores com uma atenção quase cerimonial, certificando-se de que o colchão ainda vazio esteja perfeitamente acomodado. O pequeno ursinho de pelúcia, aquele com o qual Rayane dorme todas as noites, espreita por cima do tecido, como se supervisionasse tudo.
Luciano resmunga algo sobre porta-copos e engenhocas desnecessárias, reclamando qu