Eu encaro o papel diante de mim como se fosse uma sentença. Meu coração bate tão rápido que parece que vai arrebentar minhas costelas. Durante alguns segundos, só consigo piscar, tentando entender se aquilo é real ou se o medo está me fazendo imaginar coisas. Mas não… é real. Real demais.
É o desenho de uma tatuagem. Daquelas pesadas que Luciano carrega no corpo inteiro. Uma caveira cobrindo metade do meu rosto. Como se eu fosse um espelho deformado dele. Como se ele quisesse me transformar na versão feminina do próprio tormento.
Ele observa minha reação sem piscar, imóvel, como um animal prestes a atacar.
— Luciano… Ninha voz sai falha, quase um sussurro, arranhando minha garganta. Meu peito aperta, como se eu estivesse respirando poeira.
— O que é isso? O que você quer fazer comigo?
Ele arqueia uma sobrancelha, sem pressa nenhuma para responder. É esse o pior tipo de crueldade dele: o silêncio. Luciano sabe que, às vezes, o silêncio machuca mais do que o grito.
— É você, ele finalme