A sala do Tribunal sempre me causa a mesma sensação estranha: um peso antigo, quase sagrado, que se acumula sobre meus ombros assim que cruzo aquelas portas enormes de madeira escura. O ar ali dentro nunca parece se mover, como se o tempo tivesse medo de atravessar um espaço onde tantas decisões mudaram e destruíram vidas. E hoje não é diferente. Quando Rômulo ergue os olhos por cima dos óculos, avaliando cada detalhe do meu rosto, sinto aquele velho incômodo tentar se enraizar no meu estômag