A sala do Tribunal sempre me causa a mesma sensação estranha: um peso antigo, quase sagrado, que se acumula sobre meus ombros assim que cruzo aquelas portas enormes de madeira escura. O ar ali dentro nunca parece se mover, como se o tempo tivesse medo de atravessar um espaço onde tantas decisões mudaram e destruíram vidas. E hoje não é diferente. Quando Rômulo ergue os olhos por cima dos óculos, avaliando cada detalhe do meu rosto, sinto aquele velho incômodo tentar se enraizar no meu estômago.
— Como você está se sentindo? Pergunta ele, com aquela voz calma que nunca revela nada.
— Eu vivo para ver outro dia respondo sem rodeios, porque não vale a pena mascarar aquilo que é óbvio.
Estou vivo.
Só isso.
Ele assente devagar, como se esperasse exatamente essa frase, e volta o olhar ao arquivo grosso sobre a mesa ornamentada. Os Conselheiros sentam-se ali, alinhados como estátuas antigas, carregando nos rostos a memória de cada morte que tiveram que registrar. Atrás deles, o estandart