Capítulo 74

É melhor que o porão, repito para mim mesma pela centésima vez. Ou pela milésima. É a frase que me mantém respirando quando a mente ameaça quebrar.

A frase que recito como um mantra torto, tentando acreditar que existe algum consolo nesta escuridão controlada, nesta prisão silenciosa onde cada centímetro parece pulsar sob a presença invisível dele... Luciano.

Levanto-me, lenta, como quem carrega peso nos ossos. Caminho até o banheiro, que é o único espaço onde uma lâmpada funciona. A luz fraca amarela pinga do teto como um resto de misericórdia.

Sim, há eletricidade no quarto inteiro, mas, não há lâmpadas nas luminárias. Isso não é acidente.

Nunca foi.

É assim desde que cheguei. Ou melhor, desde que fui trazida para cá. Luciano não gosta de ser visto. Não gosta de claridade. Não quer que eu veja. E quer menos ainda que eu seja vista.

Penso no que sei sobre meu marido. Marido. A palavra pesa como ferro. A verdade é que não sei muito, quase nada. Sei que ele é feito de sombras, de r
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