O silêncio do quarto era tão profundo que parecia engolir o ar que eu respirava. Rosália dormia encolhida, seu peito subindo e descendo num ritmo leve demais, vulnerável demais, para alguém que ousou me trair… Ou ao menos me fazer acreditar nisso. A raiva era uma lâmina quente correndo por minhas veias, pulsante, envenenando cada pensamento até que minhas mãos se moveram sem permissão.
Deslizei a palma sobre sua boca, abafando o grito que estava prestes a escapar. O toque súbito a fez despertar num salto, os olhos arregalando no escuro como se vissem um fantasma.
— L-Luciano? Ela arfou, minha sombra engolindo a visão dela. A forma como pronunciou meu nome foi como uma súplica desesperada que apenas aumentou meu ódio.
Aproximei meus lábios do ouvido dela, minha voz transformada num rosnado grave:
— O que eu disse sobre você dormir nua?
O medo dela era um perfume amargo, inundando o quarto. Meus dedos apertaram a garganta delicada com firmeza, sentindo sua respiração falhar contra minha