Assim que me afasto do olhar vigilante de Luciano, sinto o ar se tornar mais leve —l ainda que apenas por um instante. A música ecoa em ondas suaves, mesclando-se ao murmúrio de vozes e risadas que preenchem o salão. O brilho dos lustres reflete nas taças, nos vestidos e nas máscaras douradas que escondem verdades e intenções. Estendo a mão e, sem pensar, pego uma taça de champanhe da bandeja prateada que desliza entre os convidados.
Por um segundo, espero que alguém me impeça. Meu marido tem olhos e ouvidos em todos os cantos. Ele controla tudo, até os movimentos do ar que respiro. Mas ninguém ousa dizer nada. Ergo o cristal, observando as bolhas subirem como pequenos segredos em fuga, e tomo um gole.
Não gosto realmente de champanhe o sabor é metálico, quase arrogante , mas há algo libertador na efervescência que toca minha língua. Não quero me embriagar; apenas anestesiar o medo, ganhar coragem para respirar, para suportar o peso invisível que me acompanha.
O salão parece um outro