O salão estava mergulhado em uma penumbra dourada, o som dos cristais tilintando misturava-se ao murmúrio das conversas. Havia naquela noite algo de silenciosamente perigoso, como se o ar esperasse para testemunhar um acontecimento que mudaria tudo. Santiago aproximou-se de mim com seu passo firme, discreto, o mesmo olhar frio que sempre carregava quando vinha tratar de assuntos sérios demais para os ouvidos da Facção.
Ele tirou um pequeno frasco do bolso interno do paletó e, sem uma palavra, tomou um gole. O cheiro do uísque defumado invadiu o ar, pesado e familiar. Quando me ofereceu, hesitei apenas um instante antes de aceitar. Levei o frasco aos lábios, sentindo o gosto ardente me descer pela garganta e aquecer por dentro o que há muito tempo estava gelado.
— Eu não esperava que sua visita durasse tanto — comentei, observando-o com desconfiança. — Você esteve aqui todo esse tempo?
— Não. — Ele balançou a cabeça, o olhar perdido por um segundo. — Estive no Norte, reunindo informaçõ