O silêncio dentro do carro do meu irmão é tão pesado que chega a doer nos ouvidos. O som do motor é a única coisa viva entre nós. Lá fora, o mundo parece distante, as árvores passando rápidas, o céu encoberto, o vento frio que corta o ar. Nada parece real. A cada curva, sinto o estômago se revirar, como se a estrada me conduzisse direto para um destino do qual não poderei escapar.
Henrique dirige como sempre — firme, impassível, com o maxilar travado. A mesma expressão de quem nunca conheceu o