Mundo ficciónIniciar sesiónIsabella Andrade só queria fugir. Após descobrir que sua própria irmã se casaria com seu ex, ela comprou a primeira passagem disponível e acabou nos braços de um estranho magnético em uma sala VIP de aeroporto. Sem nomes, sem promessas, apenas uma entrega ardente que mudou seu destino. Dois meses depois, desempregada e desesperada, Bella aceita um cargo de babá com um salário irrecusável. As regras são rígidas: cuidar da pequena Sofia e, acima de tudo, nunca cruzar o caminho do recluso patrão. Mas o destino é cruel. Quando um imprevisto quebra a rotina, Isabella fica cara a cara com o dono da casa. Rafael Mendes não é apenas um advogado implacável; ele é o homem daquela noite inesquecível. Agora, presa sob o mesmo teto que o homem que assombra seus sonhos, Bella guarda um segredo que cresce em seu ventre: ela está esperando o herdeiro do seu chefe. Ele busca ordem; ela carrega o caos. O que acontecerá quando a verdade sobre aquela noite de luxúria vier à tona?
Leer másIsabella Andrade
O ar dentro da mansão Andrade sempre teve um gosto de lavanda e hipocrisia. Mas hoje, o cheiro estava insuportável. Eu estava sentada diante da penteadeira do meu quarto, encarando o reflexo de uma mulher que eu mal reconhecia. Meus olhos azuis, que costumavam brilhar com uma curiosidade boba sobre o mundo, pareciam duas pedras de gelo cravadas em um rosto pálido. Eu ouvia o tilintar de taças de cristal vindo do andar de baixo. O som das risadas de Clarice, minha madrasta, subia pelas escadas como veneno destilado. Ela tinha o dom de transformar qualquer tragédia em um evento social digno de nota. E para ela, o fato de minha irmã mais nova, Luiza, estar noiva do meu ex-namorado não era uma traição — era "uma feliz coincidência do destino". Rodrigo. Só de pensar no nome dele, meu estômago dava voltas. Passamos três anos juntos. Planejamos nomes de filhos, escolhemos a cor das cortinas de um apartamento que nunca chegamos a mobiliar. E então, ele terminou comigo sob o pretexto de que "precisava de espaço". O espaço, pelo visto, tinha exatamente o tamanho do quarto da minha irmã. Uma batida suave na porta interrompeu meu tormento interno. — Bella? — Era a voz do meu pai. O tom era aquele que ele usava quando estava prestes a pedir um sacrifício em nome da "paz familiar". — Entra, pai. — Respondi, sem desviar os olhos do espelho. Arthur Andrade entrou, fechando a porta com cuidado, como se temesse que o barulho pudesse quebrar o verniz de civilidade que ele tanto lutava para manter. Ele se aproximou e colocou a mão no meu ombro. Eu senti o peso daquela mão. Era o peso de anos de expectativas não atendidas. — Você está linda, querida. Mas os convidados já chegaram. Os pais do Rodrigo estão na sala, e Luiza está... bem, você sabe como ela fica quando não tem a atenção de todos. — Ela está radiante, eu imagino. — Minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia. — Afinal, ela conseguiu o troféu final. O namorado que pertencia à irmã mais velha. Meu pai suspirou, sentando-se na beira da minha cama. — Isabella, eu sei que dói. Eu não sou cego. Mas Rodrigo e Luiza se apaixonaram. Coisas assim acontecem. Não podemos parar a vida deles por causa de um ressentimento. Clarice organizou esse jantar de noivado com tanto carinho... ela quer que você seja a madrinha. É um gesto de união, filha. — União? — Eu me virei para ele, sentindo a primeira onda de fúria genuína quebrar a barreira do meu entorpecimento. — Pai, você tem noção do que está me pedindo? Você quer que eu segure o buquê da mulher que roubou o meu futuro e ainda se diz minha irmã? Que eu assine um documento testemunhando que o homem que eu amava agora pertence a ela? Isso não é união. É sadismo. — Não seja dramática! — A voz não era do meu pai. Clarice entrou no quarto como se fosse a dona do mundo. Vestia um conjunto de seda creme que gritava elegância e frieza. Ela cruzou os braços, me analisando com aquele olhar de desaprovação que eu conhecia desde os meus doze anos. — Isabella, já chega desse luto ridículo. O namoro com o Rodrigo acabou há meses. Se ele encontrou a felicidade com a Luiza, você deveria ser a primeira a comemorar. O que as pessoas vão dizer se a irmã mais velha se recusar a participar do casamento? Que você é amargurada? Invejosa? — Eu não me importo com o que as pessoas dizem, Clarice. Eu me importo com o que eu sinto. — Pois comece a se importar com o nome desta família! — Ela deu um passo à frente, a voz baixando para um sussurro sibilante. — Sua irmã é sensível. Ela chorou a manhã inteira com medo de que você estragasse tudo com a sua cara de enterro. Seu pai e eu decidimos: você vai descer, vai cumprimentar o Rodrigo, vai abraçar sua irmã e vai aceitar o convite para ser madrinha. É uma ordem, não uma sugestão. Olhei para o meu pai, buscando um aliado. Ele apenas olhou para o chão, ajustando o relógio de pulso. A covardia dele era o que mais me machucava. Ele preferia me ver sangrar emocionalmente a ter que discutir com a esposa. Naquele momento, algo dentro de mim quebrou. Não foi uma quebra ruidosa, mas o silêncio absoluto de uma corda que estica até não poder mais. — Tudo bem. — Eu disse, minha voz subitamente calma. — Vocês têm razão. A "família perfeita" não pode ter manchas. Clarice sorriu, um brilho de triunfo nos olhos. — Que bom que você recobrou o juízo. Desça em cinco minutos. Eles saíram. Fiquei sozinha no silêncio do quarto, mas agora o ar parecia ainda mais pesado. Eu me levantei e caminhei até o closet. Meus olhos caíram sobre uma mala de couro pequena, escondida no fundo. Eu não pensei. Se eu pensasse, eu morreria naquela casa. Com movimentos frenéticos, comecei a jogar roupas lá dentro. Não escolhi as melhores, apenas as que estavam mais perto. Meus documentos estavam na gaveta da escrivaninha, junto com um fundo de reserva em dinheiro que eu vinha guardando para um curso de fotografia que nunca tive coragem de começar. Enfiei tudo na bolsa. Peguei meu celular e vi uma notificação de grupo de família. Uma foto de Luiza e Rodrigo, brindando com champanhe na sala de estar. A legenda de Clarice dizia: "O amor sempre vence". — Não desta vez, não vou ficar para participar deste show de horrores. — Sussurrei. Saí do quarto e caminhei pelo corredor dos fundos, a escada de serviço que os empregados usavam. Eu conhecia cada tábua que rangia naquela casa. Desci as escadas, o coração martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado. A cozinha estava vazia; todos estavam ocupados servindo os "nobres" na sala de jantar. Saí pela porta dos fundos. O ar frio da noite atingiu meu rosto, e pela primeira vez em semanas, eu consegui respirar. Não parei para olhar para trás. Corri até o portão lateral, onde os táxis costumavam entregar encomendas. A sorte, pela primeira vez, estava ao meu lado. Um táxi estava deixando um vizinho alguns metros adiante. Corri até ele, quase tropeçando nos meus próprios pés. — Para onde, moça? — O motorista perguntou, notando meu estado ofegante e o pânico em meus olhos. — Aeroporto. Agora. Por favor. Enquanto o carro se afastava, olhei pelo vidro traseiro. A mansão Andrade estava toda iluminada, imponente e bela por fora, mas apodrecida por dentro. Eu via as sombras das pessoas se movendo através das janelas da sala de jantar. Eles estavam brindando à minha custa. Peguei meu celular. Meus dedos tremiam. Eu precisava sumir. Não apenas sair de casa, mas sair daquele raio de existência. Abri o aplicativo de voos. Eu não queria saber o destino. Eu só queria o próximo avião que cruzasse a fronteira. "para qualquer lugar", digitei mentalmente. Havia um voo internacional saindo em duas horas. Destino: algum lugar que eu nunca havia visitado. Comprei a passagem com um clique, sentindo um choque de adrenalina percorrer minha espinha. Ao chegar no aeroporto, o caos ao meu redor era um reflexo perfeito do que eu sentia por dentro. Milhares de pessoas indo e vindo, cada uma com sua própria história, seu próprio drama. Ali, eu não era a Isabella Andrade, a irmã preterida ou a filha de um empresário omisso. Eu era apenas uma passageira sem rumo. Passei pelo check-in como se estivesse em um sonho. Meus pés pareciam flutuar. Quando cheguei à área de embarque, a exaustão começou a tomar conta. Eu não comia há horas. Meus olhos azuis estavam vermelhos de cansaço e das lágrimas que eu me recusava a derramar. Foi então que vi o letreiro de uma Sala VIP. Eu tinha um cartão de crédito de alta categoria que meu pai insistia que eu mantivesse para "emergências". Bem, se ser traída pela família e fugir do país não era uma emergência, eu não sabia o que era. Entrei na sala. O ambiente era silencioso, luxuoso, com poltronas de couro profundo e uma luz âmbar acolhedora. Era um mundo à parte do barulho lá fora. Caminhei até o bar e pedi um vinho tinto. Sentei-me em uma mesa afastada, observando a pista de decolagem através do vidro imenso. As luzes dos aviões pareciam estrelas caídas. Eu estava sozinha. Totalmente sozinha. E, pela primeira vez, isso não me assustou. — À sua liberdade, Bella. — Brindei baixinho, o cristal da taça gelado contra meus dedos. Eu só sabia que a Isabella que saiu de casa naquela noite nunca mais voltaria.Bella A mansão dos Mendes não era uma casa; era um manifesto de arquitetura moderna e solidão. Localizada em um dos condomínios mais exclusivos da cidade, a construção de concreto, vidro e madeira nobre parecia observar o mundo com indiferença. Quando o portão imenso de ferro se abriu, senti um frio na barriga que não tinha nada a ver com o enjoo matinal que me perseguia desde que acordei. Dona Helena já me esperava na porta monumental. Ela vestia um uniforme impecável e ostentava um sorriso que era o único ponto de calor naquele cenário minimalista. — Seja bem-vinda, Isabella. Pontualidade é a primeira chave para sobreviver aqui — ela disse, fazendo um gesto para que eu entrasse. O hall de entrada tinha um pé-direito tão alto que eu me senti uma formiga. O silêncio era quase palpável, interrompido apenas pelo tique-taque ritmado de um relógio de parede antigo que parecia deslocado em meio à decoração tão contemporânea. Helena me conduziu pelos corredores, apresentando a equipe:
Bella O escritório de Rafael Mendes não era apenas um local de trabalho; era um monumento à frieza e ao poder. Localizado no trigésimo andar de um dos prédios mais caros da cidade, o lugar exalava um cheiro de café caro, couro novo e segredos jurídicos. Eu estava sentada em uma cadeira de design minimalista que parecia ter sido projetada para ser tudo, menos confortável, esperando ser chamada para a entrevista que poderia, finalmente, tirar meu nome do fundo do poço e devolver minha dignidade. Eu vestia minha melhor roupa de "mulher séria e responsável": uma calça de alfaiataria preta que Milena me emprestou e uma camisa branca que passei com tanto afinco que quase fiz um buraco na gola. — Senhorita Isabella Santos? — Uma voz feminina, precisa como um relógio suíço, me tirou dos meus devaneios sobre o preço do quilo do feijão. Levantei-me de um salto, quase derrubando minha bolsa de lona que, graças a Deus, não tinha moedas soltas hoje. — Sou eu. A mulher à minha frente era a pe
Bella Um mês. Trinta dias. Setecentas e vinte horas desde que eu decidi que a vida de herdeira injustiçada não combinava com o meu novo visual "fujona-precisando-de-um-milagre". Eu agora era Isabella Santos. O "Andrade" tinha ficado lá no aeroporto, enterrado em algum lugar entre a sala VIP e o balcão da companhia aérea. Agora, eu era apenas a Bella. Uma Bella que descobriu, da maneira mais dolorosa possível, que o dinheiro não nasce em árvores, ele nasce de turnos de doze horas em pé, servindo chope gelado para homens que acham que o bar é uma extensão do sofá da casa deles. Mudei de cidade com a coragem de um leão e o orçamento de um camundongo. Se não fosse pela Milena, eu provavelmente estaria dormindo em uma caixa de geladeira com vista para o canal. Milena era um anjo que o destino — aquele safado — colocou no meu caminho. Ela era garçonete no bar onde eu implorei por um trabalho temporário e, em três dias juntas, ela decidiu que eu era sua "irmã de alma" e que dividir o alug
Bella O vinho tinto deslizava pela minha garganta, mas não conseguia aquecer o gelo que havia se instalado no meu peito. Eu observava o reflexo do meu rosto na taça de cristal, distorcido e pálido sob a iluminação indireta da Sala VIP. Isabella Andrade, a fugitiva. A mulher que não teve coragem de lutar, mas que teve o desespero necessário para partir. O som da minha própria voz pareceu patético, perdido entre o murmúrio baixo da música ambiente e o anúncio distante de voos. Eu estava sozinha em uma mesa de canto, cercada por poltronas de couro que cheiravam a dinheiro e privilégio, mas eu me sentia como um náufrago em um bote salva-vidas dourado. — É um brinde solitário para uma noite com tanto potencial. A voz era profunda, uma barítono rico que vibrou contra as paredes da sala e pareceu ressoar diretamente dentro das minhas costelas. Senti um solavanco no coração, um susto que me fez apertar a haste da taça com força excessiva. Limpei rapidamente o rastro de uma lágrima que ame
Isabella Andrade O ar dentro da mansão Andrade sempre teve um gosto de lavanda e hipocrisia. Mas hoje, o cheiro estava insuportável. Eu estava sentada diante da penteadeira do meu quarto, encarando o reflexo de uma mulher que eu mal reconhecia. Meus olhos azuis, que costumavam brilhar com uma curiosidade boba sobre o mundo, pareciam duas pedras de gelo cravadas em um rosto pálido. Eu ouvia o tilintar de taças de cristal vindo do andar de baixo. O som das risadas de Clarice, minha madrasta, subia pelas escadas como veneno destilado. Ela tinha o dom de transformar qualquer tragédia em um evento social digno de nota. E para ela, o fato de minha irmã mais nova, Luiza, estar noiva do meu ex-namorado não era uma traição — era "uma feliz coincidência do destino". Rodrigo. Só de pensar no nome dele, meu estômago dava voltas. Passamos três anos juntos. Planejamos nomes de filhos, escolhemos a cor das cortinas de um apartamento que nunca chegamos a mobiliar. E então, ele terminou comigo sob
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