O carro avança pelas ruas cinzentas de Manhattan City, e o silêncio entre mim e Henrique é sufocante. Ele dirige com uma tranquilidade irritante, os dedos tamborilando no volante como se nada tivesse acontecido na noite anterior. O mesmo homem que quase me matou agora parece calmo, quase entediado.
Eu o observo de soslaio. Os traços perfeitos herdados de nossa mãe — os olhos claros, o queixo marcado — não escondem o monstro que ele é. Sempre foi o favorito dela. O filho obediente, o braço forte